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quarta-feira, 4 de março de 2009

Governo muito mediocre.

Qualquer pessoa que não viva à conta desta desastrosa governação, sabe avaliar os três primeiros anos de governação de José Sócrates como um governo mau. Claro que há cada vez maior quantidade de gente que vive do saque do erário público (os camaradas de partido, que aplaudiram calorosamente o primeiro ministro mais mentiroso e teimoso na asneira de que há memória em Portugal e a malta do rendimento mínimo e outros subsídio dependentes – agora também grandes especuladores bolsistas, pelos vistos) e esses acham que está tudo muito bem (vamos ver é quanto tempo mais isto vai aguentar com cada vez menos gente a trabalhar e sobrecarregada de impostos e cada vez mais gente a viver à custa destes).
Mas eu nem quero agora aqui falar dos primeiros três anos de governação, em que as sucessivas descobertas de mentiras, aldrabices, trafulhices do nosso primeiro-ministro (o seu “curso de engenharia”, o não aumento de impostos, a destruição do sistema nacional de saúde, sobretudo no interior, os 150 mil novos empregos, etc.), foram sempre disfarçados com um magro crescimento, fruto do arrastamento da economia portuguesa pela economia internacional (as políticas de Sócrates em absolutamente nada contribuíram para isso, v.g. a desastrosa política de educação que torna os portugueses cada vez mais mal preparados, a continuação de uma justiça que não funciona, o não desagravamento do IRC, a instabilidade fiscal, enfim, coisas que poderiam incentivar realmente a economia e não o seu paleio oco e falso), e por uma teimosia que as pessoas, habituadas aos governos desde 1995, confundiram com firmeza, com reformismo e com competência. No entanto, realmente o que se assistiu em Portugal nesses primeiros 3 anos foi a destruição do ensino público; a destruição do sistema nacional de saúde; muita propaganda em relação ao simplex e ao choque tecnológico, que, na realidade, deixaram quase tudo na mesma; uma revisão do código de processo penal com o fim de reduzir os gastos do Estado com a prisão de criminosos e que gerou um descontrolo do crime em Portugal, a ponto de este se tornar num paraíso criminal que atrai criminosos de todo o mundo, que sabem que aqui nunca vão presos; um ataque à classe média; um ataque aos professores, aos polícias ou a quem quer que trabalhe e que queira ter algo de seu, o qual, apesar de fruto do trabalho, do sacrifício e da poupança, é tributado como se não fosse de quem tem ou construiu as coisas mas como se estas pertencessem ao Estado; um cada vez maior número de tachos principescamente remunerados para os amigos; a manutenção de uma cada vez maior classe de parasitas do rendimento mínimo, a quem tudo lhes é dado e nada lhes é exigido, e que se continuam a reproduzir, a ponto de já se afirmar que em 2030 as reformas serão 50% dos vencimentos, tal será a quantidade de indigentes que viverão à custa do rendimento mínimo ou do roubo e a cada vez menor quantidade de gente a trabalhar; uma instabilidade fiscal que espanta com violência o investimento estrangeiro, que não sabe nunca com o que pode contar a nível fiscal em Portugal (vi há pouco tempo um programa na televisão em que um entrevistado mostrava em molho de papéis de algumas duzentas páginas, e que eram as alterações fiscais do último mês e, segundo ele, aquilo era a média por mês que saía de alterações à fiscalidade em Portugal, ao que ele perguntava se, em primeiro lugar, era possível alguém saber a legislação fiscal, e em segundo lugar se aquilo era de um país que pudesse ser atractivo em relação ao investimento estrangeiro, com tanta alteração e com um grande risco de se investir hoje perante um quadro fiscal e este ser alterado já para o mês que vem); um ministro da economia que decretou o fim da crise e que teve o desplante de ir para a China dizer para investirem em Portugal, pois aqui temos mão-de-obra barata; uma propaganda enorme em torno da distribuição do Magalhães, anunciado como um computador português e que não é português, numa escolha de um computador sem concurso público, um computador que, segundo consta, afinal não é distribuído, excepto nas escolas onde o primeiro-ministro vai, e um computador que, tal como Medina Carreira diz, “enquanto aqueles computadores não se avariarem todos, não haverá sossego nas aulas” (e que fez ainda o primeiro-ministro fazer uma figura ridícula na cimeira ibero-americana, ao fazer de delegado comercial de uma empresa portuguesa que monta componentes vindos de fora e que, pelos vistos, andou a fugir ao fisco…); etc., etc., etc.
Mas, como já disse acima, nem quero falar destes três anos: quero falar destes últimos 6 meses, em que o governo atingiu um nível impensável, de tão medíocre, de tão baixo, tão baixo… Sócrates, com o seu habitual descaramento, começou por dizer que íamos passar ao lado da crise, que não íamos entrar em recessão, fez um orçamento fantasioso criticado por todos mas teimou e foi em frente (como é óbvio, teve que o mudar logo em Janeiro); depois lançou foguetes quando o INE veio dizer que o crescimento da economia no 3º trimestre era 0%, pois os outros países estavam já a decrescer (afinal, correcções feitas, era -0,1% – aqui não disse mais nada); depois calou-se quando entrámos em recessão; depois veio dizer que a culpa disto tudo era do estrangeiro; depois, em Fevereiro, perante o encerramento maciço de empresas em Portugal no mês de Janeiro (70 mil portugueses perderam o emprego em Janeiro, fora os que estão com salários em atraso e os que viram os seus ordenados baixarem por causa do lay-off), veio lançar foguetes por causa da taxa de desemprego em Portugal no último trimestre de 2008, que não era tão má como isso; depois veio lançar uma manobra de diversão, tirando da cartola o casamento dos homossexuais (lei que tinha impedido de ser aprovada, com disciplina de voto, há um ano atrás), como se isso fosse uma prioridade (ou como se isso fosse, sequer, bom) ou como se alguma coisa tivesse mudado no último ano que devesse ser rejeitada na altura e aprovada agora; depois vem com mais histórias de “dar mais aos que mais precisam”, ou seja, vai continuar com o saque à classe média para continuar a dar mais a quem não quer trabalhar (agora fala em bolsas de estudo aos mais pobres até ao 12º ano), ou seja, continua-se a arrogar, cada vez mais, no direito de fazer do meu dinheiro aquilo que lhe apetece, tirando-mo para dar a pessoas que eu não conheço, sem sequer me perguntar se eu quero dar esse meu dinheiro, ou sem sequer me deixar dar o meu dinheiro, ganho com o meu suor, a quem me apetecer – não, ele pega no meu dinheiro e dá-o aos que mais precisam, que, obviamente, é quem ele decide que precisa mais, podendo até ser a um jovem licenciado do PS que necessita de ganhar 3 ou 4 mil euros por mês, ou a um cigano qualquer que ontem até me tenha ameaçado a mim ou à minha família; no meio disto tudo, tem andado a dizer que pôs as contas públicas em ordem, quando continuámos sempre com défices e para 2009 este vai disparar outra vez (mais 3 anos a apertar o cinto); e faz-se de vítima no caso “freeport”, quando já toda a gente está a ver que o homem está metido naquilo até ao pescoço (enfim, são mentiras documentadas que inventaram contra o senhor, tal como o caso do curso dele, tal como a história mentirosa de que ele alguma vez disse que ia criar 150 mil novos empregos ou que não ia aumentar os impostos, ou outras…).
Ou seja, perante a fragilidade dos partidos à sua direita e perante os tontos que, como voto de protesto, se viram para o bloco de esquerda (sem pensarem que isso não nos defende, antes nos atira ainda mais para o charco, pois políticas de esquerda levam ainda mais para a fuga de investimento estrangeiro, para falências em Portugal e para o desemprego), Sócrates chega-se ainda mais para a esquerda e faz ainda mais asneiras, continuando uma política de gastos públicos e endividamento, gastando quanto tem e quanto não tem em despesa não produtiva (o tal dinheiro para os que mais precisam, o TGV, que nem com a economia e o mundo assim o fazem recuar, o aeroporto, etc.) soltando asneiras e mentiras para todo o lado, na tentativa de não perder muitos votos para o bloco e fazendo cada vez mais políticas que se confundem com as políticas do bloco de esquerda. Enfim, levando-nos para o descalabro económico e social.
Infelizmente, têm sido estas as políticas de Sócrates nos últimos 6 meses e são estas as que se avizinham, pelo menos, até às próximas eleições: políticas e viragem ainda mais à esquerda e consequências catastróficas para o futuro do país, mas com direito a tirar dividendos nas próximas eleições. Mas a nossa democracia assenta nesta base: não interessa se vamos pagar muito caro isto que fazemos agora, o que interessa é ganhar as eleições e perpetuarmo-nos no poder, para garantir o nosso saque e o saque dos “nossos”. Triste democracia a nossa e triste futuro vamos ter enquanto gente deste nível nos governar…
Por fim, para que não digam que tudo são más notícias, de vez em quando também chegam algumas notícias boas e que me aliviam as dores de morte de que padeço: Nino Vieira, presidente da ex-província ultramarina portuguesa Guiné-Bissau, foi abatido à catanada e ao tiro.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Contas públicas equilibradas?

Tenho-me fartado de ouvir a mesma cantiga de há uns tempos a esta parte, vindo dos nossos governantes, nomeadamente por parte daquele que não tem por hábito dizer verdades (todos o conhecem, é aquele que diz que criou condições para que as taxas de juro baixassem – como se não tivesse sido o BCE a fazê-lo) e que reza que conseguiu equilibrar as contas públicas e ter margem orçamental para aumentar os gastos públicos; ouço-o também dizer que este é o menor défice da nossa democracia (duvidosa democracia esta, mas ainda assim, o que importa reter é que antes da democracia era hábito termos superavites e desde que vivemos em “democracia” sempre tivemos défices).
Ora isto é uma coisa que me mexe um bocado com o sistema nervoso, pois é tudo uma clara mentira o que esse senhor diz. Como pode ele falar que equilibrou as contas públicas e que conseguiu folga orçamental para aumentar os gastos, se há mais de 30 anos que o Estado vem gastando mais do que aquilo que recebe? Desculpem, mas conhecem alguém que possa viver mais de trinta anos a gastar mais do que o que ganha? E acham que um indivíduo que levasse essa vida ainda tinha motivos para dizer que tinha as contas em ordem e que já podia começar a gastar mais outra vez, só pelo simples facto de a diferença entre aquilo que recebeu e aquilo que gastou foi a menor dos últimos trinta e tal anos? É que o que se está a fazer há mais de 30 anos é a deixar dívidas para, mais tarde – não se sabe quando – alguém ter que as pagar. Porque não é possível gastar, sistematicamente, mais do que aquilo que se ganha, a não ser endividando-se (ou vendendo o que se tem, mas já não há muito mais empresas públicas para vender – só se voltarem a fazer como a seguir ao 25 de Abril: nacionaliza-se tudo e depois vai-se vendendo tudo outra vez). Ou seja, estamos a tornar-nos num país endividado, que está a hipotecar o futuro, gastando agora dinheiro que não se tem e deixando as coisas para os outros pagarem. Estamos com isto a condenar os vindouros à pobreza ou à emigração, pois o país assim não tem futuro.
O nosso primeiro-ministro poderia falar de equilíbrio das contas públicas e folga orçamental, se tivéssemos tido anos de superavit, onde tivéssemos acumulado dinheiro para gastar agora.
Mas o Sr. “Eng.” ainda falha noutra coisa: é que mesmo a redução que o défice teve, deveu-se, como toda a gente sabe, ao aumento da carga fiscal e ao facto de a máquina fiscal estar a apanhar faltosos antigos e não à redução da despesa, o que nos leva a pensar 3 coisas: a receita fiscal não pode continuar a aumentar muito mais, sob pena de se tornar incomportável para os contribuintes; estas receitas extraordinárias acabarão mais cedo ou mais tarde, quando a generalidade dos cidadãos forem cumpridores; o governo não conseguiu travar a despesa pública, e muito por causa de continuar a subsidiar a preguiça (rendimento social de inserção, subsídio de desemprego dado tempos sem fim, casas a quem não quer trabalhar – que eles chamam “habitação social” – , etc.) e pelo facto de continuar a meter clientelas políticas como trabalhadores do Estado (parasitas muito bem remunerados e sem fazerem nada, vindo até a dar mau nome à generalidade dos funcionários públicos que trabalham), que vêm compensar, e muito, a redução que se tem vindo a fazer nas pessoas que lá estavam a trabalhar; além, claro, de se continuar a, como diz o povo, “poupar no farelo e estragar na farinha”. Meus amigos: assim, eu não posso aguentar com tanta dor de morte!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Verdades Preocupantes.

Medina Carreira é considerado um profeta da desgraça, um pessimista nato, alguém que só sabe dizer mal e muitas outras coisas más. Mas a verdade é que, se ele é isso, eu também sou! E não deixa de ser curioso que muitas das coisas que ele diz, já eu também dizia, em conversas com os meus amigos. Outras coisas eu nunca tinha pensado, mas, ao ouvi-lo, não pude deixar de concordar com ele. Claro que não concordo com tudo o que ele diz (embora concorde com quase tudo) mas a verdade é que muito do que ele vem dizendo há já uns anos, se tem vindo a verificar ser verdade. Não vou aqui transcrever o seu pensamento, vou apenas recomendar, a quem tiver tempo (são entrevistas demoradas), pachorra e capacidade de ouvir muitas coisas preocupantes acerca do futuro do nosso país (como ele diz, "se nada for feito"), que o ouça.


A 3 de Julho de 2008, fala do Estado da Nação (43:50 minutos).


A 15 de Outubro de 2008, numa entrevista com Mário Crespo, pronuncia-se (ou não) acerca do Orçamento do Estado (36:03 minutos).


A 11 de Dezembro de 2008 diz que "portugueses vão reagir com muito barulho"(48:01 minutos).


Ao mesmo tempo que nos mostra um futuro preocupante, é delicioso ver alguém que, não tendo aspirações políticas, diz aquilo que deve ser dito sem qualquer tipo de pensamento politicamente correcto. Quem, como eu, já estiver farto desta malta que nos (des)governa e gostar de ouvir umas verdades na televisão (coisa cada vez mais rara neste país), mitigue aqui as suas dores de morte. Eu também as mitiguei!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Obrigado, Sócrates!

O nosso primeiro-ministro, “Eng.” José Sócrates, disse há dias que o ano de 2009 ia ser melhor para os portugueses. Os trabalhadores iam ser aumentados 2,9% (acima da inflação), a euribor estava a descer – prestações da casa mais baixas – e o petróleo também. Por tudo isto, o rendimento disponível dos portugueses ia aumentar significativamente. Antes de esmiuçar estes (e mais alguns) assuntos, acho que temos que agradecer ao “Sr. Eng.”, pelo bem que nos está a fazer!
Comecemos pela euribor. Não há dúvida nenhuma que esta está a descer, mas que influência tem o primeiro-ministro nisso? Curiosamente, quando esta subia, o primeiro-ministro nada fez para mitigar o impacto que esta tinha no bolso das pessoas: era uma maldade que o estrangeiro nos fazia e contra a qual nada se podia fazer. Agora que esta desce, aparece a falar como se fosse graças a ele que isto acontecesse.
Passemos ao preço do petróleo. Também não há dúvida nenhuma que este está a descer, mas que influência tem o primeiro-ministro nisso? Curiosamente, quando este subia, o primeiro-ministro nada fez para mitigar o impacto que este tinha no bolso das pessoas: era uma maldade que o estrangeiro nos fazia e contra a qual nada se podia fazer. Agora que este desce, aparece a falar como se fosse graças a ele que isto acontecesse. (Viram a repetição? Foi propositada).
Agora o aumento de 2,9% dos salários. Quando Teixeira dos Santos elaborou o Orçamento de Estado (OE), nada fazia prever o que se deu a seguir, a falência de vários dos maiores e mais antigos bancos mundiais, das seguradoras (alguns salvos pelos Estados), a crise económica gravíssima que se instalou (lembro que até o BCE andou a aumentar a taxa de referência até à última hora, muito preocupado com a inflação, quando já tanta gente dizia que a crise estava aí, que o mundo estava à beira da recessão e quando era óbvio que as pressões inflacionistas eram provocadas única e exclusivamente pela especulação à volta do preço do petróleo) e apenas por isso, tendo por base uma previsão de uma taxa de inflação de 2,4 ou 2,5% e sem contar com a recessão, é que propôs aumentos de 2,9%. Depois, com a sua habitual teimosia, recusou rever os pressupostos em que assentou a elaboração do OE, não mexendo, portanto, nos aumentos salariais nem em mais nada, fazendo com que o OE de 2009 seja um orçamento completamente irrealista e impossível de cumprir. Nada daquilo vai acontecer, deverá haver necessidade de fazer um orçamento rectificativo e o défice vai disparar, mas isso não interessa: vamos ter que voltar a pagar isso em 2010, 2011, 2012, mas isso é já depois das eleições e o que interessa é ganhar. Portanto, digo que se o orçamento fosse apresentado agora, os aumentos salariais não iriam além de 1,5%. Enfim, os portugueses foram salvos, em 2009, por uns aumentos que foram feitos com base em pressupostos que se verificou serem errados (eu lembro que já se fala em deflação).
Mas, já que estou com a mão na massa, toco aqui em mais uns pontos que são (na minha opinião) interessantes.
Um, é que, para Sócrates, Portugal não está em recessão. Parece o discurso de Cavaco Silva no seu último mandato como primeiro-ministro, o discurso do oásis. Depois, vangloriou-se com o facto de Portugal ter crescido 0% no terceiro trimestre de 2008. Com este magnífico resultado, só faltou lançar foguetes. E agora, feitas melhor as contas, parece que, afinal, o país decresceu 0,1%, o que vai fazer com que Portugal entre em recessão ainda em 2008. Mas isso é grave? Não!! Os outros estão piores! Ah, pronto, então está tudo bem! E quando estamos em fase de crescimento, que dizer do facto de crescermos sempre menos que os outros?
O outro, diz respeito a crescimento e recessão, em que estou completamente de acordo com o Professor Medina Carreira (pessoa que eu admiro bastante pela sua lucidez, coragem e frontalidade), que diz que quando a Europa cresce, nós crescemos; quando a Europa decresce, nós decrescemos; e que nós começamos a crescer sempre depois da Europa, normalmente menos do que a Europa e começamos a decrescer sempre depois da Europa. Mas a conversa dos nossos governantes é outra e sempre a mesma, independentemente de qual dos partidos temos no governo: quando cresce, é graças ao governo; quando decresce, é culpa da conjuntura internacional e antes de começar a decrescer, é que nós estamos imunes ao exterior. Toda esta conversa é conversa para enganar o pagode, pois nós andamos ao sabor da conjuntura internacional e não há governo nenhum que consiga, em quatro anos, fazer Portugal imune às oscilações da economia internacional. E muito menos com o que se anda a fazer ao país, sobretudo ao nível da educação – que nós vamos pagar muito caro, no futuro – e ao não se resolverem os problemas da justiça, que é morosa e, normalmente, fonte de impunidade. Estes são dois problemas muito graves e entraves importantes ao desenvolvimento do país e sobre os quais ou não se faz nada, ou o que se faz é no sentido de destruir. A acrescer a tudo isto, temos uma enorme falta de estabilidade fiscal que, assim como me provocam dores de morte a mim, provocam-nas também nos possíveis investidores estrangeiros em Portugal.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Salário Minimo

Nos últimos dias tenho ouvido na comunicação social as notícias acerca do aumento do salário mínimo para os 450 euros. Ouço o patronato muito chocado com este aumento “brutal” de 4 ou 5 contos (não sei ao certo) por trabalhador, que vai “prejudicar a competitividade das empresas” e levar a mais “falências e desemprego”. Quem me conhece sabe que não sou de esquerda e não sou daqueles que acham que se deve passar o salário mínimo, de um dia para o outro, para 1000 euros, nem se deve dar tudo aos trabalhadores e dizer que todos os patrões são exploradores da classe operária e outras coisas do género, mas tenham dó!
Se estamos a falar de empresas com 4 ou 5 trabalhadores, a diferença para a empresa ao fim do mês é irrisória; se estamos a falar de empresas com centenas de trabalhadores, mal será se a empresa com essa dimensão não consiga aguentar tal aumento, por trabalhador, de 4 ou 5 contos (e aqui ainda estamos a pressupor que todos ou a maior parte dos trabalhadores ganham o salário mínimo); se estamos a falar que empresas com milhares de trabalhadores, normalmente com alguns trabalhadores a receberem magníficos vencimentos e com regalias extras, e com desperdícios normalmente muito grandes ao nível de telefones, faxes, automóveis, etc., não aguentem um aumento que, a nível de custos dessas empresas, é negligenciável quando comparado com os desperdícios, isso então é de bradar aos céus.
Porque, na minha opinião, uma empresa que “se vá abaixo” com um aumento de salários desta natureza, é uma empresa que não tem viabilidade económica e que vai ter que fechar, seja agora, seja para o ano. Porque as empresas que estão para fechar agora ou para o ano e que VÃO FECHAR, não podem ser justificativo para que tantas outras QUE NÃO VÃO FECHAR continuem a pagar salários de miséria aos seus trabalhadores, para que os patrões – muitas vezes maus gestores e indivíduos sem qualquer formação académica e, sobretudo, moral – troquem de Mercedes de 3 em 3 anos em vez de o fazerem só de 5 em 5 anos. Porque é verdade que muitos empresários continuam a tratar o património das empresas como se o deles fosse, porque há muitos que continuam a levantar dinheiro das contas bancárias das empresas ou da caixa como se dinheiro deles fosse e depois andam a pedir empréstimos a taxas elevadíssimas ou a pagar comissões bancárias exorbitantes por deixarem as contas a descoberto na altura de pagar salários ou a fornecedores, e depois queixam-se da crise e que isto está mau na altura de aumentar os salários. Porque é revoltante para um trabalhador pagar casa e as despesas inerentes a ela e ter filhos e sustentar os filhos com 2 salários mínimos por mês e ouvir o patrão dizer que não lhe pode aumentar o salário porque a crise aperta e depois ver o patrão trocar de carro topo de gama a cada 3 ou 4 anos ou vê-lo meter um filho a estudar fora onde, para além da renda da casa, lhe dá mesada superior, para a borga, ao que paga ao trabalhador que trabalha no duro. Porque não se pode dizer que a produtividade dos portugueses é menor, quando um português a trabalhar lá fora tem uma produtividade igual ou superior ao dos cidadãos desses países, o que demonstra que a produtividade dos trabalhadores não é menor, a organização e as maquinarias das empresas é que são piores. Porque o salário mínimo mesmo a 450 euros é uma miséria e nenhum patrão conseguia viver com ele. Porque com 450 euros por mês não é possível ter filhos - coisa tão importante, como se apregoa - para pagar as reformas futuras, ou para continuar a explorar. Porque quem, mesmo assim e teimosamente, quiser ter filhos, com 450 euros por mês vai ter que ir trabalhar com FOME. E com fome não é possível falar de aumentar a produtividade. Porque a produtividade obtém-se com empresas modernas e bem organizadas e com os trabalhadores motivados e nutridos. E toda esta discussão vergonhosa em torno da suposta exorbitância de se aumentar o salário mínimo para 450 euros me causa dores de morte…