sábado, 10 de outubro de 2009

As eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009.


Como podem suspeitar pelo meu longo silêncio, tenho andado com muita preguiça para aqui vir escrever o que me vai na alma acerca do que se vai passando em Portugal e no mundo. Mas, apesar de isso ser verdade, também não é menos verdade que poucos têm sido os assuntos que me têm feito ter vontade de escrever. Por isso, e correndo o risco de vir com um assunto que já é do passado, venho aqui escrever qualquer coisa acerca das eleições legislativas. Ora, acerca do longo bocejo que foi a campanha eleitoral das legislativas, consegui reter meia dúzia de ideias.
A primeira delas, foi o nosso primeiro-ministro no seu melhor: mais mentiroso do que nunca, voltou a prometer este mundo e o outro com a mesma cara sem vergonha de sempre, como se não tivesse lá estado estes anos e pouco mais tivesse feito do que aumentar impostos a quem trabalha, dar dinheiro a quem não quer trabalhar, proteger os criminosos e os imigrantes, destruir o serviço nacional de saúde, destruir o ensino público, fazer todos (excepto as clientelas dele) apertar o cinto, distribuir tachos, controlar a comunicação social e, no fim, deixar o défice e o desemprego pior do que os encontrou. Mas pronto, voltou a prometer, como diz o Jerónimo de Sousa, “como se quisesse pôr o conta-quilómetros a zero”. Atenção, esta falta de vergonha não foi nada surpreendente, foi Sócrates no seu normal!
No meio disto tudo, aparece a Manuela Ferreira Leite, com tanta matéria-prima para trabalhar e facturar, e perdeu a campanha toda em mexericos acerca das escutas, da asfixia democrática e ainda se embrenhou em contradições ridículas por causa do que se passa na Madeira, como se aquilo não fosse vergonhoso e as vitórias nas eleições não fossem, precisamente, devido à “asfixia democrática” e ao clientelismo e à obra feita à custa do dinheiro do continente e do endividamento, e essas sucessivas vitórias anulassem a maneira como são obtidas. Ou seja, tinha tanta coisa para falar, para atacar o primeiro-ministro (as que disse acima) e foi pelo caminho mais complicado e que menos interessa aos portugueses. O resultado final foi o que eu esperava.
Tivemos ainda um Francisco Louçã (que, como sabem, é uma personagem que eu detesto) em bom nível, a puxar casos vergonhosos para a campanha e a conseguir mostrar alguns dos podres desta nossa “democracia” e deste bloco central que nos tem desgovernado há mais de três décadas. Acho que esteve em bom nível, apesar de, no que toca às propostas, estou a anos luz dele e Deus me livre que fossem postas em prática, ou lá ia o desemprego para 50% e lá íamos ainda mais para o buraco em que o Sócrates nos meteu mais. O resultado foi decepcionante (não para mim, pois acho que devia ter ainda menos), comparado com o que se chegou a pensar devido às sondagens. Mas foi prejudicado no fim, por causa da velha e gasta história do voto útil a favor do PS.
Quanto à CDU, foi o costume: muita simpatia por parte do Jerónimo de Sousa, mas a mesma conversa gasta de sempre, talvez com o perder um pouco a vergonha de voltar a falar de nacionalizações, como se já todos tivéssemos esquecido ao que isso nos levou nos anos pós 25 de Abril. No meio de tudo, algumas bocas engraçadas ao Sócrates, mas nada de extraordinário, tal como os seus resultados, apesar do que apregoou.
O grande vencedor para mim foi, sem dúvida, Paulo Portas (que acabou por levar o meu voto, pois descobri, ao chegar à mesa de voto, que o PNR não tinha lista pelo distrito da Guarda!!). Apesar de tudo o que acho dele (desde o governo de que fez parte, até às histórias com Ribeiro e Castro ou Manuel Monteiro), não há dúvida nenhuma que foi um lutador, foi o homem que, dos 5 partidos do poder e que têm acesso à comunicação social, mais coisas acertadas disse e por isso teve um resultado extraordinário, com muita gente jovem das grandes urbes, surpreendentemente, a votar nele em vez das propostas da “ganza e do aborto” de Francisco Louçã. Parece-me um bom sinal de descontentamento da juventude contra as políticas de esquerda que têm vigorado em Portugal desde o dia do golpe militar de 1974. Parece-me que alguma juventude começou a abrir a pestana e a ver que a vida não são só charros e bandalheira e que as propostas da extrema esquerda, apesar de muito bonitas, são completamente utópicas e apenas levariam Portugal para a pobreza, como aliás o fizeram em todos os países onde estas se aplicaram.
Como nota muito importante desta campanha, ficaram os "insultos" que todos fizeram uns aos outros, desde o CDS ao BE, da CDU ao PS, do PS ao PSD, do PSD ao PS, do BE ao CDS. Foi com algum espanto que assisti a que, de repente, todos se andassem a chamar "Salazar" uns aos outros - ou "salazarento" (que é uma palavra que podia também ser criada a partir de Mário Soares: "soarento", uma palavra que definiria o acto de vender Portugal aos comunistas estrangeiros e meter a mão no que é de todos). Por um lado achei graça que um homem que morreu quase há 40 anos e que deixou dinheiro para esta gente roubar e enriquecer e para tantos outros políticos ainda hoje viverem à conta do que ele cá deixou, fosse tão utilizada na campanha eleitoral, prova de que a consciência desta corja de ladrões começa a ficar pesada e tentam, portanto, achincalhar o nome de alguém sério, competente e honesto (os fracos e mesquinhos costumam usar este tipo de estratagema, o de, para não parecerem tão reles, tentarem rebaixar os que lhes são, indiscutivelmente, superiores), mas por outro lado, perante o abuso da utilização do nome do Prof. Oliveira Salazar, a revolta apossou-se de mim e o nojo por esta malta subiu a níveis que eu não julgara possível. Como é possível que esta corja que há 35 anos anda a roubar o povo, que anda a levar o país para o colapso enquanto eles enriquecem e engordam à custa do trabalho de todos, como é possível que esta vara ouse utilizar sob a forma de insulto o nome de um homem que, quer a nível intelectual, quer a nível de competência, quer a nível de honestidade, quer a nível de princípios, lhes é de tal forma superior que eles nem aos calcanhares lhe chegam? Corja de bandalhos inqualificável, haviam de lavar a boca com sabão antes de pronunciar o nome deste homem, para não o conspurcarem!
Apesar de tudo, fiquei triste por a verdadeira direita continuar a ter votações ao nível do residual, sinal de que, apesar de algum abrir de olhos, as pessoas continuam presas àqueles 5 partidos, as pessoas continuam a não ser donas do seu próprio voto e a votar naqueles partidos que a comunicação social diz que têm hipóteses. A comunicação social continua a calar a voz dos pequenos partidos, a não lhes dar voz nos noticiários e, muitas vezes, a denegrir partidos como o PNR, acusando-os de tudo e mais alguma coisa em vez de se limitarem a apresentar as suas ideias sem juízos de valor, como o fazem, por exemplo, enquanto ouvem tolices como as da Carmelinda Pereira do POUS, que queria proibir os despedimentos (já agora, porque não proibir o crime também?). São estes ataques, esta censura e, por vezes (sistematicamente) a difamação – além do facto de aquela malta do poder, por influência da comunicação social, fazer crer às pessoas que os nossos votos só são válidos quando são neles, pois eles é que têm hipótese, como se no dia da votação, antes das urnas abrirem, eles já tivessem dentro da urna os votos quase todos: eles já são donos dos nossos votos! – que fazem com que as pessoas, apesar de, na realidade, pensarem bem à direita, irem votar no centro, na esquerda e na extrema-esquerda.
Antes de terminar, uma palavra acerca de sondagens que, sistematicamente, erram a favor dos partidos mais à esquerda (CDU, BE e PS) e em desfavor dos partidos mais ao centro (PSD e, sobretudo, CDS). Não querendo acreditar que a coisa é feita com má fé, sugiro que as amostras comecem a ser mais bem escolhidas e mais representativas da realidade nacional
Quanto à história das escutas e à comunicação ao país do presidente da república, nem quero comentar, por causa das dores…

sábado, 15 de agosto de 2009

Façam o favor de ser felizes!

Morreu Raúl Solnado, uma das figuras mais simpáticas do mundo do espectáculo em Portugal. Apesar de não ser dos meus comediantes favoritos, era uma pessoa que me habituei a simpatizar e a ouvir e a ver, se não com uma gargalhada, pelo menos com um sorriso de simpatia e de carinho. Quando eu era mais novo, era muito mais admirador de Raúl Solnado enquanto comediante, mas com o evoluír da idade essa admiração foi diminuindo, sem no entanto me esquecer e continuar a achar imensa piada às suas prestações em situações como a da guerra de não sei quantos ou na peça "Há petróleo no Beato". Pronto, isto para dizer que era uma pessoa de quem eu gostava mas sem exagero. E gostei de ver a quantidade de gente que foi ao seu funeral, sinal de que era uma pessoa amada pelo povo português. E apreciei esse acorrer do povo ao seu funeral, também por ver que, por vezes, os portugueses sabem ser mais civilizados que outros povos de países mais desenvolvidos que o nosso, ou seja, o povo soube mostrar a tristeza pela morte de Raúl Solnado e a sua admiração pelo actor sem histerismos ou sem os exageros que se veem lá fora, nomeadamente como no caso recente da morte do Michael Jackson: não houve gritaria, não houve histerismo, não houve tentativa de arrancar cabelos, não houve cerimónias fúnebres em campos de futebol ou de basquetebol, não houve tentativa de vender revistas ou arranjar audiências televisivas com bodes expiatórios supostamente culpados da sua morte nem com a invenção de filhos à última hora... Houve lágrimas (mas uma lágrimazita até eu soltei), houve palmas e houve respeito.
E, claro, também houve algum aproveitamento! O ministro dos negócios estrangeiros lá apareceu, e lá mandou a sua asneada! Disse que Raúl Solnado foi um lutador pela liberdade e pela democracia, quando isso é tudo mentira. Raúl Solnado foi uma pessoa que tanto viveu sem problemas durante o Estado Novo como após o golpe militar de 1974, precisamente porque o seu humor e o seu trabalho nada tinham de político. E se algum problema teve, até terá sido mais no pós 25 de Abril, em que optou por não alinhar com ideias destrutivas comunistas. E nessa altura, muitos dos actores e cantores e fadistas que foram chorar lágrimas de crocodilo ao seu funeral bem que o tentaram afastar, precisamente por não alinhar com os "metralhas" que mandaram neste país e por nunca se ter transformado em comunista. Sim, uma boa parte de gente conhecida são uns "metralhas" que prosperavam no Estado Novo e viraram comunistas após o 25 de Abril e só lá foram para aparecer e mostrar sentimentos que não têm, mas que fica bem mostrar, até para sua publicidade! E quanto ao ministro ou outros manipuladores da obra de Raúl Solnado, cabe-me dizer que, por exemplo (e foi isto que foi citado, para tentar enganar o povo), a história da guerra de mil novecentos e troca o passo nada tem de crítica à guerra do ultramar; é simplesmente uma história engraçada e que, se algo de político aquilo pode esconder (mas eu continuo a achar que não esconde) é precisamente o contrário, é o mostrar a guerra como algo de engraçado e até de amigável e inócuo! Ninguém sério intelectualmente (ou que não seja burro, claro, que também aí os há aos montes - e então entre jornalistas, políticos e pessoal do mundo do espectáculo e da televisão é um disparate!) pode ver ali uma crítica à guerra de África. Nada. Zero! E ninguém que ouça aquela história pode ficar com outra ideia que não seja a que a guerra até é engraçada.
Mas eu já estou habituado a estes disparates! Acho imensa piada quando ouço os actores que até viviam bem no tempo de Salazar, virem dizer que faziam e que aconteciam, que faziam textos muito bons antigamente que era para fazer críticas sem que os censores topassem! Mas o extraordinário era que toda a gente percebia as críticas, excepto os censores, que eram burros, se calhar! Mas alguém de juízo acredita nisso? Mas alguém acha que os censores não percebiam uma boquita ou outra que ali passava? As boquitas passavam porque eles deixavam, porque eram coisas que não faziam mal a ninguém. Mas não, eles acham-se muito inteligentes porque conseguiam enganar a censura! Tristes idiotas! Se a imbecilidade pagasse imposto...
Para finalizar, uma nota aos jornalistas: quando penso nesta classe lembro-me uma história que li, em que um indivíduo (o Dr. Assis, uma personagem inventada mas inspirada num professor da Universidade de Coimbra de finais do séc. XIX), para alertar um amigo que tinha ficado de o ir buscar a cavalo à estação de comboio, avisa por telegrama que afinal ia levar dois amigos com ele e que, portanto, seriam necessários três cavalos, e escreve o seguinte: "eu e mais dois amigos, três cavalgaduras"! A quantidade de vezes que eu ouvi dizer que Raúl Solnado era uma personagem "impar"! Mas saberão os Srs. jornalistas o significado da palavra "impar"? É que 3, 5, 7, 9, 11, 105, 123.452.654.213 são números impares! Essa malta é tão ignorante que não consegue distinguir entre impar e único! Tal como não conseguem distinguir "concurso" de "passatempo" (passam a vida com concursos em que nos habilitamos a ganhar prémios ou dinheiro e a chamar-lhes passatempos, como se estivessemos a fazer palavras cruzadas, jardinagem, ou a jogar xadrez). E ainda temos a última que ouvi (e com esta me fico, pois este assunto da burrice de jornalistas dava para fazer uma crónica comprida, comprida, comprida...) foi a de que, por lei, o pão só podia levar 1 e tal por cento de sal por Kg; isto é extraordinário, pois isto leva-me a pensar que se eu fizer meio Kg ou 750 g de pão essa percentagem já não necessita de ser respeitada! Perdoai-lhes, Senhor, que não sabem o que dizem! E façam o favor de ser felizes!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A "tirania" do PIB.

Pretendo um dia dar a minha opinião, neste blogue, acerca da “tirania” do PIB e dos absurdos a que a sua utilização como medida absoluta da qualidade de vida da população de um país podem levar. Entretanto, e enquanto a falta de tempo ou a preguiça me impedirem de explanar por escrito a minha opinião acerca desse tema, deixo aqui um texto da autoria de João Pinto e Castro - Director Geral da Ology e docente universitário – que me pareceu bastante interessante. Confesso que não lhe paguei direitos de autor nem tão pouco lhe pedi autorização para utilizar o seu texto no meu blogue, mas como uso o texto dele numa perspectiva de apenas divulgar aquilo que são as suas ideias extremamente lúcidas e, na minha opinião, uma pedrada no charco no meio da teoria económica vigente, e não com ideia de lucrar algo ou dizer mal dele, acredito sinceramente que, mesmo que venha a saber, não me irá processar!

“As gerações actuais devem ter dificuldade em acreditar que houve um tempo em que a discussão política não se centrava nas convulsões do PIB [Produto Interno Bruto], mas essa é a mais pura das verdades.
Para começar, os sistemas de contabilidade nacional hoje usados foram inventados há apenas 70 anos. Antes disso, ninguém sabia ou cuidava de saber a variação homóloga da produção no último trimestre. Uma vez generalizado o método de medição, demorou ainda algum tempo (e muita lavagem ao cérebro) até que a opinião pública o aceitasse sem reservas como uma razoável aproximação do bem-estar colectivo.
Hoje, porém, poucos contestam a bondade do PIB como critério supremo de avaliação da acção política. Estamos a crescer mais ou menos? Acentuou-se ou reduziu-se a distância em relação aos outros países? A América é mais dinâmica do que a Europa? E o Governo estimula ou tolhe o PIB?
Transformar a soma de batatas com cebolas numa operação razoável foi um feito notável dos economistas, cuja relevância depende, todavia, da aceitação da equivalência entre acumulação de bens materiais e felicidade. Como toda a obra humana, também este "felicitómetro" tem os seus defeitos: o produto nacional aumenta se eu contratar uma mulher-a-dias, mas reduz-se, contra toda a evidência, se eu me casar com ela. É assim porque a contabilidade valoriza as transacções monetárias e desdenha as que não envolvem dinheiro. Mais complicado ainda é computar a riqueza gerada quando, ao contrário do que há escassas décadas sucedia, uma grande maioria da população não produz hoje nem batatas nem pregos, mas serviços intangíveis. O engenho dos economistas logrou, porém, superar essas e outras dificuldades de natureza mais técnica. Pelo menos, é assim que pensam os crentes.
Terão razão? A produtividade da UE é, dizem-nos as estatísticas, superior à dos EUA. Porém, como os americanos trabalham em média mais horas, o produto per capita deles é maior que o dos europeus, de onde decorre que eles são mais felizes do que nós. Este raciocínio absurdo explica-se pelo facto de o lazer não ser valorizado por este sistema: trabalhar mais é sempre bom, independentemente das consequências que isso tenha sobre a saúde psicológica e mental dos indivíduos e das famílias.
Mais: para a contabilidade nacional, um euro é um euro, sem interessar quem o recebe. Está aqui implícito que a desigualdade não afecta a felicidade dos cidadãos, embora nós saibamos (e a teoria económica o confirme) que um euro adicional proporciona mais felicidade a um pobre do que a um rico.
Nos tempos longínquos em que o ensino público básico gratuito foi introduzido na Europa, a poucos interessava que isso pudesse eventualmente contribuir para aumentar a produtividade da população. O benefício esperado da educação era, primeiro, a própria educação e, segundo, a promoção da cidadania. Hoje, porém, não só os investimentos na educação, mas também na cultura, na saúde e, mais recentemente, na própria justiça, são olhados com desconfiança se não contribuírem de alguma forma para promover a competitividade das empresas e do País. Tudo o que pareça incomodar o PIB estará ipso facto tramado.
Graças a Deus - há-de haver por força algo de divino nisto - alguma investigação económica parece sugerir que aquilo que é bom para as pessoas acaba mais tarde ou mais cedo por revelar-se bom para a economia. Não sei, todavia, se poderemos ficar tranquilos, dado que, segundo Fogel (Nobel da Economia em 1993), a escravatura era um regime de trabalho eficiente à data da sua abolição nos EUA.
Faz sentido que privilegiemos o objectivo de produzir mais e mais coisas quando a esmagadora maioria dos cidadãos vive na pobreza absoluta, mas as prioridades deveriam ir-se alterando à medida que a carência extrema se reduz e que outros factores se revelam mais decisivos para a promoção da dignidade humana.Nem o PIB nem qualquer outro indicador sintético são capazes de, isoladamente, elucidar-nos sobre o grau de bem-estar de uma sociedade. Para isso, precisamos de uma pluralidade de metas variáveis em função das circunstâncias e dos desafios do momento. Já que, nesta era obcecada pela quantificação (mesmo que espúria), estamos condenados a trabalhar para as estatísticas, ao menos que seja para aquelas que mais interessam.”

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Os cornos do "Manuelinho".

Em 1637, em Évora, rebentou uma revolta por causa do aumento dos impostos e contra a dinastia filipina que então reinava em Portugal. Segundo rezam as crónicas, os responsáveis pela revolta terão sido o Procurador e o Escrivão do Povo, no entanto, as ordens para o movimento, a fim de manter o anonimato dos impulsionadores, apareceram assinadas pelo “Manuelinho”, um pobre tolo da capital alentejana.
Mais de 360 anos depois, eis que o “Manuelinho” voltou, mas desta vez para o governo. Desculpem-me, mas eu não consigo de deixar de me lembrar, de cada vez que o via, do “Manuelinho”. Já não quero falar na cara dele – que é a do “Manuelinho”, de certeza – mas das coisas a que nos habituámos a ouvir do sujeito. Desde apregoar na China para investir em Portugal, pois nós tínhamos mão-de-obra barata; até decretar o fim da crise (vê-se!); passando por receitar a ingestão de “papa Maizena” (passe a publicidade – e confesso que não pensei que Maizena era papa, julgava que era uma farinha com fins culinários diferentes da simples ingestão com leite ou água [ou vinho, como teria sido o caso antes de proferir estas declarações], mas confesso que essa não é a minha especialidade, ficaria mais esclarecido se tivesse falado em Nestum ou Cerelac – mais uma vez, passo a publicidade) a Paulo Rangel, até ao culminar, com os cornos que mostrou (estava a mostrá-los, ou a insinuar que Bernardino é que os tinha?) a Bernardino.
Sinceramente, pareceu-me excessiva a demissão do “Manuelinho” pelo simples facto de ter feito o gesto que fez. Como é óbvio, esta demissão apenas aconteceu porque estamos a 3 meses das eleições e porque o PS levou a “tareia” que levou nas europeias, senão isto tinha passado incólume como passaram as suas anteriores “calhoadas”, as baboseiras de Mário “Jamé” (o do deserto) ou a má educação e arrogância constante de ministros como Silva Pereira (nomeadamente numa entrevista com Mário Crespo) ou Santos Silva (o que gosta de malhar na direita, lembram-se?) ou a suprema falta de respeito de Sócrates de cada vez que vai à Assembleia da República, na maneira jocosa com que trata os lideres das bancadas parlamentares da oposição.
“Manuelinho” foi, portanto, vítima do timing em que fez mais uma das suas, senão nada se teria passado. No entanto, mesmo no momento da saída a coisa foi, mais uma vez, atabalhoada, com o Ministro a dizer que tinha condições para continuar e, mais tarde, a dizer-se que tinha pedido a demissão já depois de ter sido despedido. E apareceram ainda vozes a louvar o trabalho do ex-ministro, dizendo que ele tinha operado maravilhas (como a Besta, no livro do Apocalipse) e que apenas não tinha o dom da palavra e que não era um político, dizendo que se fartara de trabalhar, que tinha um currículo invejável… tenham dó. Só pode louvar o trabalho deste ex-ministro quem beneficiou com as suas acções (e serão poucos), quem é da cor dele ou quem não tem vivido neste país! (aliás, por tocar neste assunto, deixai-me também felicitar Afonso Candal pelo seu discurso na AR no dia do debate de estado da Nação: gostei muito do país que falou, deve ser um sítio espectacular para viver; se ele ler estas linhas, espero que escreva nos comentários deste blogue qual é esse país, pois estou mesmo a ponderar a hipótese de emigrar para lá!). Quanto ao currículo, quem não conhecer esta malta, que os compre. Enquanto estudante, tive oportunidade de conhecer professores mentecaptos com currículos invejáveis; enquanto cidadão, tenho oportunidade de ver que esta malta começa, desde recém licenciados (às vezes antes), como chefes de algo e vão circulando de empresa em empresa, de instituto público em instituto público, sempre em lugares de chefia, sem terem passado por baixo, sem saberem o que estão a chefiar, sem saberem nada de nada, mas sempre a acrescentar ao currículo que foram chefes disto, chefes daquilo… Que competência, a destes senhores! Acrescentem à lista de sumidades com currículos invejáveis Dias Loureiro (o tal que tinha ordenado principesco no BPN por ser de uma competência rara mas que agora, quando a coisa dá para o torto, já vem dizer que afinal o que fazia era assinar papeis sem os ler – devolva os ordenados que recebeu se afinal não fazia nada nem sabia nada do que ali andava a fazer), Oliveira e Costa e Jardim Gonçalves, tudo malta de grandes currículos (e gente séria…).
Desculpem lá, mas um indivíduo que durante 4 anos mais não fez do que fazer ao povo, sub-repticiamente, o que fez naquele dia ao deputado Bernardino Soares às claras, já devia ter sido corrido há muito tempo e não só agora porque o fez à descarada a um deputado. Faz-nos pensar se um deputado (ainda por cima comunista) vale mais do que dez milhões de pessoas.
Ah! Mas não se preocupem com o “Manuelinho”, pois ele não vai para pior pelo facto de ter sido despedido. Tenho a certeza absoluta que vai receber uma belíssima indemnização e lhe vão arranjar um tacho ainda melhor, com menor exposição pública (para não voltar a fazer ou a dizer, em público, asneiras) e a ganhar muito mais dinheiro do que ganhava como ministro, seja numa empresa pública, seja num instituto público, seja numa Fundação privada tipo Fundação das Telecomunicações (que funciona em instalações do Estado, com pessoas nomeadas pelo Estado e que eu não acredito que tenha sido criada apenas para adjudicar o fornecimento de computadores Magalhães a uma empresa privada – será que é de amigos, ou é só porque é muito boa empresa? – sem concurso público), seja numa das empresas que beneficiou enquanto foi ministro. E saber que o “Manuelinho” fica bem, é um analgésico para as minhas dores!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Morte do Michael Jackson.


Morreu o cantor Michael Jackson. Milhares de pessoas por todo o mundo choram a sua morte e prestam-lhe homenagens, como se o homem tivesse feito algo de bom pela humanidade. Se morresse um galardoado com o prémio Nobel da medicina (ou mesmo que não tivesse ganho o Nobel mas que tivesse feito grandes descobertas nessa área ou outra área de importância para a humanidade), o choro limitar-se-ia a pouco mais do que familiares e alguns amigos. Isto só vem mostrar o poder do marketing (sobretudo dos americanos, habituados a fazer de criaturas, quantas vezes com pouco valor, quase semi deuses para pessoas de mentes mais fracas) por um lado e a completa inversão de valores e de prioridades que se vive no mundo ocidental.
Não me quero alongar muito neste assunto, quer porque não tenho muito a dizer acerca disto, quer porque seria dar importância excessiva a quem a não tem (e se falo na morte de Michael Jackson não é pela importância que lhe dou, mas antes pelo disparate de que a sua morte tem vindo a ser alvo), por isso vou aqui apenas tocar nos dois tópicos que referi acima.
Em primeiro lugar, falar da inversão de valores, que é notória no facto de tanta gente que contribuiu para o progresso da humanidade e ninguém chorar a morte delas, de, muitas vezes, ser dada a notícia de raspão no noticiário ou num artigo de um oitavo de página no meio de um jornal; e para um cantor (que nem vou aqui discutir a qualidade, para não entrar em mais polémicas ainda) serem dadas honras de abertura de noticiários durante vários dias, e de primeiras páginas de jornais. Numa altura de crise económica gravíssima, de milhões de pessoas a ficarem ainda mais pobres, de aquecimento global, de uma crise política enorme num país altamente problemático como é o caso do Irão, de tragédias por esse mundo fora, se dá esta situação completamente desproporcionada de choro mundial por causa de um indivíduo que há vários anos não fazia nada, que vivia de rendimentos de discos vendidos e de concertos dados há já vários anos e que, apesar de ganhar obscenidades, ainda tinha necessidade de contrair milhões de dólares de dívidas; de um indivíduo que o que fazia na vida era cantar e dançar e que foi várias vezes acusado de molestar menores! Um indivíduo que era nítido que, mais do que um excêntrico, era alguém bastante perturbado e se não fosse famoso e muito rico, era provável que tivesse passado os últimos anos da sua vida internado num qualquer hospital psiquiátrico – mas ele não era maluco, pois como era rico, era excêntrico! É pela morte de um indivíduo destes que milhares de pessoas choram baba e ranho pelo mundo fora, como se de um messias se tratasse.
Quanto ao marketing americano, não há dúvida que Michael Jackson é um produto de uma indústria muito bem organizada e que consegue criar mitos em criaturas que, se calhar, nunca se deviam sequer ter dedicado ao mundo do entretenimento. Não vou discutir aqui se é ou não o caso de Michael Jackson, mas os americanos são especialistas em criar nomes endeusados e explorar esses nomes até ao tutano. Michael Jackson era um desses nomes que não merecia tanta fama nem tanto endeusamento. Preparem-se agora, que os americanos vão explorar isto até ao tutano: os discos que ainda há já estão a esgotar e, nos próximos anos, vamos ter lançamentos de inúmeras colectâneas de CD’s de Michael Jackson sempre com as mesmas músicas mas que os otários lá estarão a comprar, pois querem ter todos os discos que saíram deste cantor. É o Marketing americano a funcionar, mais nada. Quem quer comparar a morte de Luciano Pavarotti com a de Michael Jackson? Foi alguma loucura destas? E há alguma comparação entre a voz de um e de outro?
Mas Pavarotti foi apenas um exemplo. Poderia dar mais, mas não o vou fazer. E podem dizer, para contra argumentar comigo, que Pavarotti era apenas um cantor e Michael Jackson era mais do que isso. Pois, era um cantor mas era-o de excepção e Jackson não. E, em termos musicais, não tenho dúvida nenhuma em afirmar que o mundo perdeu mais com a morte de Carlos Paião do que com a de Michael Jackson. Só que um era português e o outro era americano e, ainda por cima, dos escolhidos pelo pessoal das grandes editoras norte americanas, entre milhares de cantores do mesmo nível, para ser elevado ao estatuto de estrela máxima. E o pessoal vai nisso. Bem diz o ditado: “todo o burro come palha, o que é preciso é saber dar-lha”. E eles sabem dar palha. O que é preciso é ser-se burro para a comer…

domingo, 28 de junho de 2009

Lições a tirar das eleições para o parlamento europeu.



Estas eleições para o parlamento europeu vêm confirmar, infelizmente, aquilo que tenho dito neste blogue. As pessoas continuam a usar o seu voto de forma irresponsável, continuam a não serem senhoras de seu voto e a serem influenciadas pelas sondagens, indo a correr atrás daquilo a que os teóricos, os donos do nosso voto, chamam de voto útil. E, claro, a par disto, somos também, cada vez mais, escravos da canalha para quem apenas interessa, ao votar, em votar no partido que defende que se possam fumar charros, fazer abortos, ou que casamentos contra natura se possam realizar.
Mas pronto, contra essa canalha nada há a fazer, as suas prioridades são as rastas, as calças rotas, as bolas de malabarismos, o cuspir fogo, os charros, enquanto os pais trabalham (normalmente gente que aufere bons rendimentos e aprecia bons vinhos, boa lagosta e bom caviar) para os deixar levar uma boa vida e, mais tarde, os “colocarem” aí num bom lugar. Esta esquerda caviar, esta esquerda bloquista, é uma esquerda muito mais perigosa do que a CDU, esta sim alvo de um voto mais verdadeiramente ideológico e importante (eu nunca disse que um partido comunista devia desaparecer, pois é um partido importante na mobilização dos trabalhadores, um partido verdadeiramente de combate e que é, muitas vezes, a voz que as pessoas têm na ditadura que vivemos entre eleições) e que nada tem de negativo. O perigo que estas eleições nos mostraram não são os mais de 11% do PCP, são os mais de 11% do PCP mais os mais de 11% do bloco, estes últimos completamente desligados da verdadeira realidade do pensamento das pessoas, até mesmo, diria, das que votam neste partido sem ser por voto de protesto (se bem se lembram – a memória é curta e os jovens já nem se lembram disto – a coligação entre vários partidos ultra radicais de estrema esquerda, insignificantes, herdados do PREC, nomeadamente a UDP, o PSR e o MDP/CDE, bem como a junção a esta amálgama de vários elementos do partido comunista que pensavam que o definhar do PCP era irreversível e que esta extrema-esquerda revolucionária e anti-democrática, mascarada de uma nova esquerda mais “arejada”, iria tender a substituir o PCP e não queriam perder o tacho nem a notoriedade). O que se passa é que as pessoas, revoltadas com as políticas de esquerda e de centro do PS e que nos têm levado ao descalabro, ao desemprego e baixa produtividade, ao crime, ao incentivo à preguiça, ao despesismo típico da esquerda, etc., em vez de votarem de acordo com as suas convicções, vão fazer um voto de protesto votando em partidos que não representam minimamente as suas ideias mas precisamente o contrário delas, só porque esse partido é o partido de protesto que tem hipóteses de eleger deputados. Lá está, à conta do voto útil vão eleger deputados que apenas vão levar a que o governo governe ainda pior, pois ao votarem na esquerda vão levar a que o governo governe ainda mais à esquerda e nos leve, cada vez mais, para o descalabro a que as políticas de esquerda nos têm conduzido (não só a nós, mas nos sítios onde governa, como é o caso da Espanha ou da Grã Bretanha, onde governos socialistas têm destruído completamente a economia dos respectivos países e o desemprego tem chegado a níveis catastróficos). E a prova disto foi o facto de senhores como Manuel Alegre, Paulo Pedroso ou António José Seguro, membros do PS, terem vindo logo no dia a seguir às eleições dizer que o que as eleições mostraram é que o povo quer que se governe mais à esquerda. Mas o governar mais à esquerda é fazer precisamente o contrário daquilo que as pessoas falam, do que as pessoas se queixam, é dar mais rendimentos mínimos, é dar mais subsídios de desemprego quando há empresas que querem trabalhadores e estes não querem trabalhar porque ficam a ganhar o mesmo e a terem que trabalhar, é continuar a ser permissivo em relação à criminalidade e arranjar justificações para os criminosos e arruaceiros (como é o caso dos últimos desacatos num bairro de Setúbal e há uns tempos em Loures), é abrir ainda mais as portas à imigração que, como se tem visto, tem feito aumentar o crime em geral e o crime violento em particular, é dar mais direitos aos criminosos, é o preocupar-se em demasia com os direitos humanos de indivíduos que, pela maneira como vivem na nossa sociedade e pelo valor que dão à vida dos outros, não deviam ter qualquer direito, é continuar a defender mais e melhores condições para os condenados a penas de prisão e não considerar que esses indivíduos deviam trabalhar para pagar os custos que implicam a sua manutenção (mal vai o país que obriga estudantes a pagar propinas para pagar o seu custo na universidade ou taxas moderadoras nos hospitais a quem está doente, para pagar os seus custos, ou custas judiciais por se recorrer a um tribunal para fazer justiça tarde e a más horas – e, tantas vezes, sem que essa justiça não seja feita – mas não obriga criminosos que estão a cumprir pena por causarem males à sociedade a pagarem os custos da sua privação de liberdade ou imigrantes ilegais a pagar a sua viagem de regresso quando são alvos de expulsão do país). Porque isto é verdade! Eu lembro-me bem, quando era estudante, que as pessoas que por não terem filhos a estudar nas universidades públicas e por “dor de cotovelo” eram a favor da mentira que era espalhada de que “não são os pais dos que não têm filhos a estudar nas universidades públicas que têm que pagar o ensino dos que lá estudam” (sem nunca se preocuparem se os seus impostos eram baixados ou não, apenas por terem a mentalidade de “tramar” os outros) mas nunca vi ninguém se revoltar pelo facto de estar a sustentar bandidos na prisão sem ter lá filhos presos ou a pagar viagens caras a imigrantes ilegais no seu regresso a casa… Mas a extrema-esquerda defende isto, defende que os criminosos que estão presos são criaturas cheias de direitos, que a um assassino que não respeitou o direito à vida de outra pessoa (um direito humano fundamental – o direito à vida) têm que ser respeitados uma série de direitos humanos, tais como o de não poder ser obrigado a trabalhar, ao menos para pagar o seu sustento, em vez de obrigar os familiares e amigos das vítimas a sustentarem a sua vida ociosa dentro de uma prisão, como se a pena de prisão fosse apenas uma pena de privação de liberdade e não também uma expiação pelo crime cometido e um ressarcir a sociedade por um mal que lhe causou. (já agora, lembro que, ao contrário do que essa malta de extrema-esquerda apregoa enquanto não está no poder, no intuito de mostrar a pele de cordeiro que veste por cima da pele de lobo e enganar as pessoas, nos países comunistas os detidos iam todos trabalhar e não de uma forma meiga – quem não se lembra dos campos de trabalho na Sibéria, onde todos os presos eram obrigados a trabalhar como escravos, horas intermináveis por dia, com uma mísera ração que muitas vezes era abaixo do nível de subsistência – leia-se, a propósito disto, “Um dia a vida de Ivan Denisovic”, de Alexandre Sojenitsin, prémio Nobel da Literatura).
Eu sei que este regime está podre, que foi apodrecido pela alternância no poder entre dois partidos praticamente iguais e ambos (um mais do que o outro) neo liberais e com tiques de esquerda, mas não é com votos de protesto no bloco de esquerda que as coisas vão melhorar. As coisas só podem melhorar com votos mais à direita (de preferência com a criação de um verdadeiro partido de direita com gente séria, competente e com vontade de servir e longe de ideologias esquerdistas ou liberais puras) e nunca mostrando aos autistas e corruptos que nos governam que o povo quer uma viragem à esquerda (quando não quer, eu sei a quantidade de pessoas que abominam a ideologia do bloco e que foram votar nele, por ser “o único que chateia os gajos”), pois pode acontecer, se se deixarem de voto útil no voto de protesto, se todos votarem naquilo que acham mesmo, que um partido à direita cresça como cresceu o bloco e que possa ser um partido onde as pessoas de direita possam dar o seu voto de protesto. Só é preciso fazer esse voto sem pensar se o voto é útil ou não (já se viu, para quem é de direita, que o voto no bloco não é útil). E eu lembro aqui como surgiu o bloco: a coligação de vários pequenos partidos estalinistas, maoistas, trotsquistas, que concorreram uma vez juntos e elegeram um deputado. A partir daí as pessoas de extrema-esquerda (mais uma vez recordo: maoistas, trotsquistas e estalinistas, que é o que o bloco é) acreditaram e deixarem-se de votos úteis noutros partidos e começaram a fazer crescer este, depois acrescentados por charrosos, homossexuais, pseudo intelectuais e outras pessoas mais ou menos decentes. Se as pessoas quiserem, podem mostrar que isso também é possível fazer num partido de direita (é mais complicado um pouco, pois quando a direita mete um cartaz no Marquês de Pombal, em Lisboa, vem logo a esquerda e a extrema-esquerda censurá-lo e mandar tirar, mas é possível, pois eu sei que somos muitos mais do que os 12 ou 13 mil votos que um partido de direita teve nas últimas eleições – embora eu reconheça que esse partido, com alguma da gente que lá tem, não será o partido ideal, mas seria um princípio, seria um motor de arranque e logo a gente que lá está e não interessa teria que sair quando o partido começasse a crescer – ao contrário do bloco, que quando começou a crescer foi logo invadido por charrosos, malta das rastas e outros, pensado eles que, se um dia o partido chegasse ao poder, isso alguma vez continuaria, cegos do que se passa e do que se passou em países comunistas). O que não faz sentido é pessoas decentes e respeitadoras da ordem e da justiça, pessoas de direita, andarem a votar na extrema-esquerda estalinista.
Porque, meus amigos, foi a direita (não a minha direita, mas essa não teve oportunidade de mostrar o que vale, mas foi sem dúvida a direita e a democracia – mesmo não sendo a mais perfeita democracia) que construiu aquilo em que vivemos, que construiu a Europa em que vivemos, que construiu os EUA, que construiu o Japão, que construiu a Austrália e a Nova Zelândia e foi a extrema-esquerda que construiu Cuba, que construiu a Coreia do Norte, que construiu a Europa de Leste que, após 20 anos, ainda não conseguiu ultrapassar a miséria que o comunismo lhe deixou, e que está a construir a Venezuela. E é a própria direita que permite que esta extrema-esquerda fale e concorra a eleições (pois estes jamais nos deixariam concorrer se fossem eles que mandassem) e que, tão paradoxalmente, se preocupa se a extrema-direita tem 5 ou 6% dos votos mas não se preocupa que a extrema-esquerda, a verdadeira inimiga do nosso modo de vida, tenha, como teve em Portugal, não os 11% do PCP mas os 23% que teve. Espero que no futuro se pense um bocado nisto antes de ir dar o voto a quem não vai defender o que nós defendemos mas a quem vai fazer com que isto fique cada vez pior. Porque as coisas estão más e a distribuição de riqueza é má e as vigarices são mais que muitas, mas sempre vai valendo mais uma má distribuição de riqueza criada, do que a não distribuição por falta de criação de riqueza, que é onde a esquerda sempre nos levou e sempre nos levará. E levar-nos-á a dores de morte apenas comparáveis às sofridas nos campos de concentração estalinistas na Sibéria, sem charros para aliviar as dores!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Coitadinhos...


Nos últimos dias tem havido uns pequenos desacatos num bairro de Setúbal. Há uns meses atrás houve uns num de Loures. Antes ainda houvera na Amadora. Há uns anitos atrás houve uma arrastão numa praia (ai, desculpem, parece que a malta do Bloco de Esquerda acabou por descobrir que não foi arrastão, foi só uma malta a dançar hip-hop que, sem querer, trouxe as carteiras do pessoal, bem como relógios, fios de ouro e prata e telemóveis agarrados aos pés). Enfim, tal como na época do arrastão, nos outros casos apareceram sempre os senhores da esquerda a justificar os actos de malta que devia ser presa e/ou expulsa de Portugal; aparece nestas alturas sempre gente a justificar o que estes “jovens” (assim são chamados) fazem e, inclusivamente, a dar-lhes razão pelo que fazem. Aparecer a dizer que estas coisas acontecem por mil e uma razões e que os vândalos que não respeitam nem a paz nem a ordem ainda são as vítimas disto é, além de uma refinada mentira, um incentivo a que esta gente continue a agir como age.
Porque a verdade, toda a gente sabe disso (e se diz que não sabe ou é ingénuo – para não chamar coisa pior – ou é mentiroso), é que aquela malta é uma malta privilegiada em relação à maior parte da população: é uma malta que recebe casas de borla sem ter que se preocupar com a euribor ou com os spreads; é uma malta que vive do rendimento mínimo e não tem que se preocupar se a empresa onde trabalha vai ou não à falência; é uma malta que tem escolas (das quais não quer saber), hospitais, estradas, iluminação, etc. sem se preocupar em trabalhar e produzir para pagar isso; é uma malta que tem os carros, a roupa, os telemóveis ou o que lhe apetecer porque os rouba a quem “salta da cama” de manhã para ir trabalhar. Enfim, é uma cambada de inúteis que deveria ser violentamente repudiada por todos, que não faz mais nada do que estar no ócio, roubar e tornar a vida de quem trabalha para os sustentar num inferno.
E o pior é que a comunicação social ainda mostra as coisas como se eles fossem as vítimas; que a comunicação social dê voz a quem não tem razão nem vergonha de andar à viver à custa de todos; que a comunicação social ainda mostre, como eu vi, pessoas daquele bairro a dizer que estão a protestar porque a polícia os maltrata, porque matou mais um e já não são dois nem três que são mortos pela polícia, como se aquela escumalha tivesse sido morta por andar a dar milho aos pombos; como se fosse um pobre “jovem” que não estava a fazer mal nenhum e a polícia – malandros – mataram o rapazinho. Porque o tal “jovem” que foi morto, involuntariamente, pela polícia, era um bandido com uma cadastro recheado de crimes, um indivíduo que nunca seria mais nada na vida do que um bandido e que – fiquem chocados se quiserem, mas é a minha opinião – não deve, sequer, a sociedade fazer mais do que soltar um suspiro de alívio por haver menos um bandalho à solta. Porque a mim choca-me que se perca mais tempo com a morte de um inútil e miserável ladrão do que com um honrado funcionário de uma bomba de gasolina, de um supermercado ou proprietário de uma ourivesaria que estavam a trabalhar e são mortos por lixo como este.
E isto porque estamos, com a desculpabilização em vez da forte e severa repressão, a abrir caminho para uma sociedade onde os nossos filhos não possam viver em segurança e que sejam escravos destes selvagens que, por mais que se lhes dê nunca nada chega e onde teremos uma espécie de escravatura, pois serão cada vez menos a trabalhar para sustentar esta malta para ver se eles nos deixam mais ou menos tranquilos (mesmo assim, pouco tranquilos, e cada vez menos).
Repugna-me que aqui apareça a igreja católica de braço dado com o bloco (que é quem a quer ver cada vez mais de rastos e não quem a apoia) a dizer “coitadinhos dos jovens, que têm problemas sociais, que não têm emprego…”. Mas algum daqueles indivíduos quer trabalhar? Mas algum deles alguma vez procurou emprego? Mas algum deles trocaria a vida que leva, onde não faz nada e tem tudo (seja de mão beijada, seja a roubar, seja a vender droga) por ter que se levantar cedo, passar o dia a “vergar a mola” e chegar ao fim do dia estafado? Acho piada quando dão exemplo de malta daquela que vingou no mundo da música ou do futebol, mas não mostram dos que conseguiram sair daqueles bairros com uma profissão normal, pois isso só mostra que a esmagadora maioria daquela gente só dali quer sair se for para ser muito rica a praticar desporto ou a cantar; de outro modo, não é com eles. Em vez de andar na roubalheira de telemóveis, bancos, ourivesarias, multibancos, lojas da “NIKE”, e já que não têm nada que fazer, porque não roubar umas enchadas, uns sachos, uma luvas, umas sementes e não se põem a cultivar os terrenos mais próximos e a tirar da terra algo que ajude o sustento? Dizem que isto acontece devido à pobreza, então por que motivo no tempo de Salazar não havia esta pouca vergonha e as pessoas pobres, em vez de se porem a apedrejar a polícia, a queimar carros, contentores do lixo e ecopontos, ia “vergar a mola” e cultivar a terra até ao último centímetro quadrado? Porque antigamente, se não se trabalhasse ninguém lhe dava nada e ainda se lhe chamava vagabundo e hoje diz-se, dos vagabundos preguiçosos e violentos, que são uns coitadinhos, que são umas vítimas, dá-se-lhes tudo de mão beijada e ainda se desculpa toda a porcaria que fazem e, em troco por nos enfernizarem a vida, ainda se propõem dar-lhes mais em troca de umas tréguas temporárias!
Em vez de continuarmos a assobiar para o lado e a pedir-lhes para, por favor, se limitarem a viver e reproduzir-se à nossa custa a troco de dinheiro, devíamos ir à raiz do problema (sem descartar, como já disse, o remédio, ou seja, a repressão violenta) e a raiz está nas leis penais, na lei de estrangeiros e na lei da nacionalidade.
Não é admissível que se dêem regalias a bandidos pelo simples facto de terem nascido em Portugal. Porque razão se há-de dar a nacionalidade portuguesa ou não permitir a expulsão do país a indivíduos que não prestam, só pelo simples facto de terem nascido em Portugal? Então se eu tivesse nascido em França, num passeio dos meus pais, era francês? Então eu não posso expulsar do meu país um indivíduo que não é filho de portugueses e que só anda a enfernizar-me a vida só porque ele nasceu cá? Mesmo sabendo que ele não gosta de mim, que odeia o meu país e as suas gentes e que apenas se aproveita do facto de cá ter nascido para usar de certos privilégios (nacionalidade ou o impedimento de expulsão por ter nascido em Portugal), para fazer o que lhe apetece, ir contra todas as leis e regras da nossa sociedade, porque sabe que não o podem recambiar para o seu país de origem, eu não posso fazer nada e, antes pelo contrário, ainda tenho que o sustentar e conviver com o crime que ele comete? Então é aceitável que bandidos que são sistematicamente detidos por cometer os mais diversos crimes desde os 13 anos andem à solta? É aceitável que estes bandidos, pelo facto de cometerem crimes cuja moldura penal é inferior a 3 anos (quando não são crimes mais graves) poderem andar a ser sistematicamente detidos e logo postos em liberdade? É aceitável que neste país se faça um julgamento sumário a quem é apanhado com 1,2 gramas de álcool no sangue e não a um bandido apanhado a roubar, e ainda mais quando a sua “folha” é mais extensa que as escadas do Bom Jesus de Braga?
Só para terminar e não me alongar muito mais, vou aqui publicar uma carta que recebi na minha caixa de correio electrónico; não sei se é verdadeira ou não, mas o que interessa é que, mesmo que não o seja, poderia ser:

*Carta enviada de uma mãe para outra mãe em São Paulo, após um noticiário na TV:

De mãe para mãe...

'Vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, menor, infractor, das dependências da prisão em São Paulo para outra dependência prisional no interior do Estado de São Paulo.
Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter, para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela mesma transferência.
Vi também toda a cobertura que os média deram a este facto, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONG's, etc...

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero, com ele, fazer coro. No entanto, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.
Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.
Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a um vídeo-clube, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias ao seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores na sua humilde campa rasa, num cemitério da periferia...

Ah! Já me ia esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, pois eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá, na última rebelião de presidiários, onde ele se encontrava cumprindo pena por ser um criminoso.
No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas 'Entidades' que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto, e talvez indicar quais "Os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço "por favor": Faça circular este manifesto !
Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola o Brasil e não só...
Direitos humanos só deveriam ser para "humanos direitos" !!!

Dores? Mas quem tem dores?