sexta-feira, 27 de novembro de 2009

País a saque.

Armando Vara diz que está inocente. José Penedos também. Paulo Penedos também. Bibi também dizia. Hugo Marçal também. Jorge Ritto também. Carlos Cruz e Paulo Pedroso idem. E Sócrates (que está em todas), claro, também está inocente. Aliás, tal como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Ferreira Dinis, Valentim Loureiro e o filho, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Vale e Azevedo, Zezé Beleza e a irmã, ou Costa Freire. Podia continuar por aqui fora a citar nomes e casos que em comum têm o facto de mostrarem o quanto esta democracia e este chamado (erradamente) “Estado de direito” está podre e decadente. São tudo casos que mostram a impunidade que os “grandes” têm neste país, e que este bloco central de interesses tem feito tudo o que lhe apetece, tomando conta de todos os lugares do Estado, das grandes e médias empresas, de institutos públicos, de empresas municipais, de direcções gerais, enfim, de tudo o que cheire a dinheiro neste país. E pior: isso não lhes chega. Além dos balúrdios que ganham ainda têm necessidade de arranjar maneiras fraudulentas para ganhar mais e mais dinheiro! Estamos a chegar ao ponto em que de cada vez que damos um pontapé numa pedra, encontramos trafulhice. Como já disse, eles perderam a vergonha, pois a justiça foi montada (por eles) para não funcionar, e desde que continuemos (e vê-se que continuamos) a votar neles, é o que lhes interessa. Fazem as falcatruas que lhes apetece e desatam a anular provas que os incriminam inequivocamente, arranjam mil e um expedientes para atrasar os processos a ver se prescrevem, dizendo no fim que provaram a sua inocência, quando nada mais fizeram do que anular as provas que mostravam o contrário. Fizeram umas leis confusas que ninguém entende, a ponto de andarem tribunais e procuradores a opinarem de maneira diferente sobre o mesmo assunto, com professores universitários a opinarem também cada um à sua maneira, acabando as coisas por irem até aos tribunais superiores que têm juízes nomeados uns pelo PSD outros pelo PS, que acabam sempre por, servilmente, lhes dar razão. É uma vergonha!
Por muito que pareça que estão muito preocupados com a justiça, com o Estado de direito, com os julgamentos públicos, com a quebra do segredo de justiça, a verdade é que apenas queriam que toda esta “maçada” que os juízes lhes andam a causar passasse despercebida a fim de não serem julgados pelos únicos juízes justos deste país, o povo, que sabe bem que nenhum deles vai ser condenado ou, se o for, não “vai dentro”, pois foge ou é indultado, mas que sabe bem que eles são culpados de tudo o que se fala e que são ainda culpados de muitos outros crimes de que nem chegam a ser acusados, pois nunca se chegam a saber. Mas o povo sabe que o que vem à praça pública é apenas a ponta do icebergue de roubalheira que estes ladrões andam a fazer ao nosso país, acusando depois os funcionários públicos de serem a causa do défice, quando a causa do défice é o saque que estes biltres têm feito ao Estado.
A única coisa que me alivia as dores de morte que me invadem o corpo todo de cada vez que ouço falar desta roubalheira é o pensar que começam a aparecer indícios de que o país está tão podre que está em vias de haver uma crise neste regime criado após o golpe de estado de 1974 e que o regime está prestes a cair de podre. Espero que quando isso acontecer, toda esta escumalha seja julgada em julgamentos justos (onde as provas contem mesmo e não sejam sempre anuladas por advogados hábeis) e condenada severamente com pesadas penas de prisão e, também, com a devolução de tudo o que nos tem sido roubado, estejam essas coisas onde estiverem e estejam elas em nome de quem estiverem.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A educação - A escola inclusiva.

Como já algumas vezes aqui escrevi, o que se está a fazer neste país em relação à educação é um crime. E diria que é um dos maiores crimes que o governo está a cometer contra o futuro de Portugal e contra a actual juventude. O governo está a condenar os nossos jovens à ignorância e, consequentemente, à pobreza.
A teoria da escola inclusiva, em que não se faz a distinção entre os bons e os maus alunos, em que todos vão passando sem saber nada, em que se obriga quem não quer estudar a frequentar e desestabilizar as aulas (impedindo quem quer aprender de o fazer, sem que os professores possam fazer nada contra isso), em que se retira autoridade aos professores e se obriga estes a perderem mais tempo com burocracias inúteis do que a dar e a preparar aulas, vai levar, acima de tudo, à escola exclusiva. E digo isto porque se está a deteriorar a qualidade do ensino público, a conceder graus à ignorância e à incompetência, enfim, está-se a condenar as gerações futuras. E porque se está a fazer com que os filhos dos pais ricos, vendo para onde isto está a ir, ponham os filhos em escolas privadas de qualidade, onde o ensino é rigoroso, onde há disciplina e onde se aprende alguma coisa, e a fazer com que os filhos dos pobres ou dos remediados (que são cada vez mais), que não têm dinheiro para isso, fiquem em escolas onde a bandalheira e a má qualidade do ensino (sem que esta seja culpa dos professores) é cada vez maior e a condenar estes à pobreza no futuro. Está-se, no fundo, e contra o que pretendem (ou dizem que pretendem) a ministra da educação e os seus secretários de Estado (que duvido que tenham os filhos na escola pública), a provocar a exclusão, a exclusão de conhecimentos e de mobilidade social.
Porque no meu tempo, a escola pública ainda tinha alguma qualidade, toda a gente estudava até onde queria ou podia e, filhos de ricos ou de pobres, tinham as mesmas oportunidades de aprender. É isto que se está hoje a negar à maior parte dos nossos jovens, que não têm dinheiro para escolas privadas: a oportunidade de aprender. E porque esta concessão de graus sem os respectivos conhecimentos vai levar a que, no futuro, os melhores empregos sejam dados aos filhos dos que tinham dinheiro para os pôr a estudar num colégio decente e onde aprenderam alguma coisa. Porque o facilitismo leva à ignorância e ninguém quer ter um ignorante a trabalhar na sua empresa, a menos que seja como trabalhador não qualificado e com baixo salário. E trabalhadores não qualificados e ignorantes é o que o ensino público está a criar neste momento. Não deixa de ser curioso que seja um governo dito socialista que está a condenar os filhos dos pobres à pobreza e a dar uma mãozinha a que surjam escolas privadas de qualidade para os filhos dos ricos! Não deixa de ser curioso que seja um governo dito socialista que está a transformar aquilo que eram antes a meia dúzia de colégios privados que existiam para os filhos dos ricos, quando não tinham capacidade para concluir o liceu, irem conseguir fazê-lo (e com boas notas), num negócio muito mais chorudo onde hoje terão que ir os filhos dos ricos que tenham capacidade de aprender e não queiram ficar pela mediocridade de conhecimentos que hoje, e cada vez mais, são administrados nas escolas públicas.
E a verdade está aí: os professores universitários queixam-se que cada vez os jovens chegam mais mal preparados às universidades e sem saber escrever ou pensar. E isto só pode levar a uma de duas coisas: ou eles chumbam a eito, ou os professores se conformam e aceitam também o facilitismo. E facilitar leva a não ter os conhecimentos desejados. E não ter os conhecimentos desejados leva à maior dificuldade em arranjar emprego qualificado, pois as empresas (pelo menos as que aspirem a sobreviver neste mundo globalizado) não querem burros incompetentes a trabalhar para elas. Daí que eu preveja que, num futuro próximo, comecem a aparecer universidades privadas de qualidade onde os filhos dos ricos, que já fizeram no privado o ensino básico e secundário, façam também os cursos superiores. Ou seja, tal como no secundário, também as universidades privadas deixarão de ser para onde vão os filhos dos ricos que não tenham capacidade de tirar um curso, e passarão a ser para onde vão os filhos dos ricos que queiram tirar um curso em condições e que tenha boas saídas profissionais, para lugares qualificados, bem pagos, e onde não se aceite um qualquer ignorante semi analfabeto e portador de um papel que diz que é licenciado.
Outra maneira de arranjar qualificações em Portugal, é alistar-se de pequenino numa juventude partidária, colar cartazes até à idade adulta e já estão obtidas qualificações para trabalhar para o Estado, num qualquer gabinete de secretário de Estado, de deputado, de vereador (isto para quem tem mais qualificações) ou num qualquer outro emprego menos bem remunerado. Mérito? Sabedoria? Para quê? Isto ainda vai dando para a mediocridade florescer e expandir-se. Ainda há quem trabalhe para sustentar mais uns quantos “jobs” para os “boys”, que obtiveram as mais altas qualificações através do bajular os mais antigos nas juventudes partidárias.
Isto é um crime que se está a passar em Portugal e estes senhores que fazem isto deviam ser julgados, condenados e punidos pela destruição do futuro próximo de Portugal, pela condenação à pobreza e emigração das gerações futuras. Porque voltaremos a ser exportadores de pedreiros (com licenciatura) ou lavadores de retretes dos países mais ricos (isto se eles ainda necessitarem de nós, como aconteceu nas décadas de reconstrução da Europa, a seguir à II guerra mundial – agora não sei se precisam).
E enquanto isso não acontece, as minhas dores de morte não têm qualquer alívio. Nem com comprimidos.

sábado, 10 de outubro de 2009

As eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009.


Como podem suspeitar pelo meu longo silêncio, tenho andado com muita preguiça para aqui vir escrever o que me vai na alma acerca do que se vai passando em Portugal e no mundo. Mas, apesar de isso ser verdade, também não é menos verdade que poucos têm sido os assuntos que me têm feito ter vontade de escrever. Por isso, e correndo o risco de vir com um assunto que já é do passado, venho aqui escrever qualquer coisa acerca das eleições legislativas. Ora, acerca do longo bocejo que foi a campanha eleitoral das legislativas, consegui reter meia dúzia de ideias.
A primeira delas, foi o nosso primeiro-ministro no seu melhor: mais mentiroso do que nunca, voltou a prometer este mundo e o outro com a mesma cara sem vergonha de sempre, como se não tivesse lá estado estes anos e pouco mais tivesse feito do que aumentar impostos a quem trabalha, dar dinheiro a quem não quer trabalhar, proteger os criminosos e os imigrantes, destruir o serviço nacional de saúde, destruir o ensino público, fazer todos (excepto as clientelas dele) apertar o cinto, distribuir tachos, controlar a comunicação social e, no fim, deixar o défice e o desemprego pior do que os encontrou. Mas pronto, voltou a prometer, como diz o Jerónimo de Sousa, “como se quisesse pôr o conta-quilómetros a zero”. Atenção, esta falta de vergonha não foi nada surpreendente, foi Sócrates no seu normal!
No meio disto tudo, aparece a Manuela Ferreira Leite, com tanta matéria-prima para trabalhar e facturar, e perdeu a campanha toda em mexericos acerca das escutas, da asfixia democrática e ainda se embrenhou em contradições ridículas por causa do que se passa na Madeira, como se aquilo não fosse vergonhoso e as vitórias nas eleições não fossem, precisamente, devido à “asfixia democrática” e ao clientelismo e à obra feita à custa do dinheiro do continente e do endividamento, e essas sucessivas vitórias anulassem a maneira como são obtidas. Ou seja, tinha tanta coisa para falar, para atacar o primeiro-ministro (as que disse acima) e foi pelo caminho mais complicado e que menos interessa aos portugueses. O resultado final foi o que eu esperava.
Tivemos ainda um Francisco Louçã (que, como sabem, é uma personagem que eu detesto) em bom nível, a puxar casos vergonhosos para a campanha e a conseguir mostrar alguns dos podres desta nossa “democracia” e deste bloco central que nos tem desgovernado há mais de três décadas. Acho que esteve em bom nível, apesar de, no que toca às propostas, estou a anos luz dele e Deus me livre que fossem postas em prática, ou lá ia o desemprego para 50% e lá íamos ainda mais para o buraco em que o Sócrates nos meteu mais. O resultado foi decepcionante (não para mim, pois acho que devia ter ainda menos), comparado com o que se chegou a pensar devido às sondagens. Mas foi prejudicado no fim, por causa da velha e gasta história do voto útil a favor do PS.
Quanto à CDU, foi o costume: muita simpatia por parte do Jerónimo de Sousa, mas a mesma conversa gasta de sempre, talvez com o perder um pouco a vergonha de voltar a falar de nacionalizações, como se já todos tivéssemos esquecido ao que isso nos levou nos anos pós 25 de Abril. No meio de tudo, algumas bocas engraçadas ao Sócrates, mas nada de extraordinário, tal como os seus resultados, apesar do que apregoou.
O grande vencedor para mim foi, sem dúvida, Paulo Portas (que acabou por levar o meu voto, pois descobri, ao chegar à mesa de voto, que o PNR não tinha lista pelo distrito da Guarda!!). Apesar de tudo o que acho dele (desde o governo de que fez parte, até às histórias com Ribeiro e Castro ou Manuel Monteiro), não há dúvida nenhuma que foi um lutador, foi o homem que, dos 5 partidos do poder e que têm acesso à comunicação social, mais coisas acertadas disse e por isso teve um resultado extraordinário, com muita gente jovem das grandes urbes, surpreendentemente, a votar nele em vez das propostas da “ganza e do aborto” de Francisco Louçã. Parece-me um bom sinal de descontentamento da juventude contra as políticas de esquerda que têm vigorado em Portugal desde o dia do golpe militar de 1974. Parece-me que alguma juventude começou a abrir a pestana e a ver que a vida não são só charros e bandalheira e que as propostas da extrema esquerda, apesar de muito bonitas, são completamente utópicas e apenas levariam Portugal para a pobreza, como aliás o fizeram em todos os países onde estas se aplicaram.
Como nota muito importante desta campanha, ficaram os "insultos" que todos fizeram uns aos outros, desde o CDS ao BE, da CDU ao PS, do PS ao PSD, do PSD ao PS, do BE ao CDS. Foi com algum espanto que assisti a que, de repente, todos se andassem a chamar "Salazar" uns aos outros - ou "salazarento" (que é uma palavra que podia também ser criada a partir de Mário Soares: "soarento", uma palavra que definiria o acto de vender Portugal aos comunistas estrangeiros e meter a mão no que é de todos). Por um lado achei graça que um homem que morreu quase há 40 anos e que deixou dinheiro para esta gente roubar e enriquecer e para tantos outros políticos ainda hoje viverem à conta do que ele cá deixou, fosse tão utilizada na campanha eleitoral, prova de que a consciência desta corja de ladrões começa a ficar pesada e tentam, portanto, achincalhar o nome de alguém sério, competente e honesto (os fracos e mesquinhos costumam usar este tipo de estratagema, o de, para não parecerem tão reles, tentarem rebaixar os que lhes são, indiscutivelmente, superiores), mas por outro lado, perante o abuso da utilização do nome do Prof. Oliveira Salazar, a revolta apossou-se de mim e o nojo por esta malta subiu a níveis que eu não julgara possível. Como é possível que esta corja que há 35 anos anda a roubar o povo, que anda a levar o país para o colapso enquanto eles enriquecem e engordam à custa do trabalho de todos, como é possível que esta vara ouse utilizar sob a forma de insulto o nome de um homem que, quer a nível intelectual, quer a nível de competência, quer a nível de honestidade, quer a nível de princípios, lhes é de tal forma superior que eles nem aos calcanhares lhe chegam? Corja de bandalhos inqualificável, haviam de lavar a boca com sabão antes de pronunciar o nome deste homem, para não o conspurcarem!
Apesar de tudo, fiquei triste por a verdadeira direita continuar a ter votações ao nível do residual, sinal de que, apesar de algum abrir de olhos, as pessoas continuam presas àqueles 5 partidos, as pessoas continuam a não ser donas do seu próprio voto e a votar naqueles partidos que a comunicação social diz que têm hipóteses. A comunicação social continua a calar a voz dos pequenos partidos, a não lhes dar voz nos noticiários e, muitas vezes, a denegrir partidos como o PNR, acusando-os de tudo e mais alguma coisa em vez de se limitarem a apresentar as suas ideias sem juízos de valor, como o fazem, por exemplo, enquanto ouvem tolices como as da Carmelinda Pereira do POUS, que queria proibir os despedimentos (já agora, porque não proibir o crime também?). São estes ataques, esta censura e, por vezes (sistematicamente) a difamação – além do facto de aquela malta do poder, por influência da comunicação social, fazer crer às pessoas que os nossos votos só são válidos quando são neles, pois eles é que têm hipótese, como se no dia da votação, antes das urnas abrirem, eles já tivessem dentro da urna os votos quase todos: eles já são donos dos nossos votos! – que fazem com que as pessoas, apesar de, na realidade, pensarem bem à direita, irem votar no centro, na esquerda e na extrema-esquerda.
Antes de terminar, uma palavra acerca de sondagens que, sistematicamente, erram a favor dos partidos mais à esquerda (CDU, BE e PS) e em desfavor dos partidos mais ao centro (PSD e, sobretudo, CDS). Não querendo acreditar que a coisa é feita com má fé, sugiro que as amostras comecem a ser mais bem escolhidas e mais representativas da realidade nacional
Quanto à história das escutas e à comunicação ao país do presidente da república, nem quero comentar, por causa das dores…

sábado, 15 de agosto de 2009

Façam o favor de ser felizes!

Morreu Raúl Solnado, uma das figuras mais simpáticas do mundo do espectáculo em Portugal. Apesar de não ser dos meus comediantes favoritos, era uma pessoa que me habituei a simpatizar e a ouvir e a ver, se não com uma gargalhada, pelo menos com um sorriso de simpatia e de carinho. Quando eu era mais novo, era muito mais admirador de Raúl Solnado enquanto comediante, mas com o evoluír da idade essa admiração foi diminuindo, sem no entanto me esquecer e continuar a achar imensa piada às suas prestações em situações como a da guerra de não sei quantos ou na peça "Há petróleo no Beato". Pronto, isto para dizer que era uma pessoa de quem eu gostava mas sem exagero. E gostei de ver a quantidade de gente que foi ao seu funeral, sinal de que era uma pessoa amada pelo povo português. E apreciei esse acorrer do povo ao seu funeral, também por ver que, por vezes, os portugueses sabem ser mais civilizados que outros povos de países mais desenvolvidos que o nosso, ou seja, o povo soube mostrar a tristeza pela morte de Raúl Solnado e a sua admiração pelo actor sem histerismos ou sem os exageros que se veem lá fora, nomeadamente como no caso recente da morte do Michael Jackson: não houve gritaria, não houve histerismo, não houve tentativa de arrancar cabelos, não houve cerimónias fúnebres em campos de futebol ou de basquetebol, não houve tentativa de vender revistas ou arranjar audiências televisivas com bodes expiatórios supostamente culpados da sua morte nem com a invenção de filhos à última hora... Houve lágrimas (mas uma lágrimazita até eu soltei), houve palmas e houve respeito.
E, claro, também houve algum aproveitamento! O ministro dos negócios estrangeiros lá apareceu, e lá mandou a sua asneada! Disse que Raúl Solnado foi um lutador pela liberdade e pela democracia, quando isso é tudo mentira. Raúl Solnado foi uma pessoa que tanto viveu sem problemas durante o Estado Novo como após o golpe militar de 1974, precisamente porque o seu humor e o seu trabalho nada tinham de político. E se algum problema teve, até terá sido mais no pós 25 de Abril, em que optou por não alinhar com ideias destrutivas comunistas. E nessa altura, muitos dos actores e cantores e fadistas que foram chorar lágrimas de crocodilo ao seu funeral bem que o tentaram afastar, precisamente por não alinhar com os "metralhas" que mandaram neste país e por nunca se ter transformado em comunista. Sim, uma boa parte de gente conhecida são uns "metralhas" que prosperavam no Estado Novo e viraram comunistas após o 25 de Abril e só lá foram para aparecer e mostrar sentimentos que não têm, mas que fica bem mostrar, até para sua publicidade! E quanto ao ministro ou outros manipuladores da obra de Raúl Solnado, cabe-me dizer que, por exemplo (e foi isto que foi citado, para tentar enganar o povo), a história da guerra de mil novecentos e troca o passo nada tem de crítica à guerra do ultramar; é simplesmente uma história engraçada e que, se algo de político aquilo pode esconder (mas eu continuo a achar que não esconde) é precisamente o contrário, é o mostrar a guerra como algo de engraçado e até de amigável e inócuo! Ninguém sério intelectualmente (ou que não seja burro, claro, que também aí os há aos montes - e então entre jornalistas, políticos e pessoal do mundo do espectáculo e da televisão é um disparate!) pode ver ali uma crítica à guerra de África. Nada. Zero! E ninguém que ouça aquela história pode ficar com outra ideia que não seja a que a guerra até é engraçada.
Mas eu já estou habituado a estes disparates! Acho imensa piada quando ouço os actores que até viviam bem no tempo de Salazar, virem dizer que faziam e que aconteciam, que faziam textos muito bons antigamente que era para fazer críticas sem que os censores topassem! Mas o extraordinário era que toda a gente percebia as críticas, excepto os censores, que eram burros, se calhar! Mas alguém de juízo acredita nisso? Mas alguém acha que os censores não percebiam uma boquita ou outra que ali passava? As boquitas passavam porque eles deixavam, porque eram coisas que não faziam mal a ninguém. Mas não, eles acham-se muito inteligentes porque conseguiam enganar a censura! Tristes idiotas! Se a imbecilidade pagasse imposto...
Para finalizar, uma nota aos jornalistas: quando penso nesta classe lembro-me uma história que li, em que um indivíduo (o Dr. Assis, uma personagem inventada mas inspirada num professor da Universidade de Coimbra de finais do séc. XIX), para alertar um amigo que tinha ficado de o ir buscar a cavalo à estação de comboio, avisa por telegrama que afinal ia levar dois amigos com ele e que, portanto, seriam necessários três cavalos, e escreve o seguinte: "eu e mais dois amigos, três cavalgaduras"! A quantidade de vezes que eu ouvi dizer que Raúl Solnado era uma personagem "impar"! Mas saberão os Srs. jornalistas o significado da palavra "impar"? É que 3, 5, 7, 9, 11, 105, 123.452.654.213 são números impares! Essa malta é tão ignorante que não consegue distinguir entre impar e único! Tal como não conseguem distinguir "concurso" de "passatempo" (passam a vida com concursos em que nos habilitamos a ganhar prémios ou dinheiro e a chamar-lhes passatempos, como se estivessemos a fazer palavras cruzadas, jardinagem, ou a jogar xadrez). E ainda temos a última que ouvi (e com esta me fico, pois este assunto da burrice de jornalistas dava para fazer uma crónica comprida, comprida, comprida...) foi a de que, por lei, o pão só podia levar 1 e tal por cento de sal por Kg; isto é extraordinário, pois isto leva-me a pensar que se eu fizer meio Kg ou 750 g de pão essa percentagem já não necessita de ser respeitada! Perdoai-lhes, Senhor, que não sabem o que dizem! E façam o favor de ser felizes!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A "tirania" do PIB.

Pretendo um dia dar a minha opinião, neste blogue, acerca da “tirania” do PIB e dos absurdos a que a sua utilização como medida absoluta da qualidade de vida da população de um país podem levar. Entretanto, e enquanto a falta de tempo ou a preguiça me impedirem de explanar por escrito a minha opinião acerca desse tema, deixo aqui um texto da autoria de João Pinto e Castro - Director Geral da Ology e docente universitário – que me pareceu bastante interessante. Confesso que não lhe paguei direitos de autor nem tão pouco lhe pedi autorização para utilizar o seu texto no meu blogue, mas como uso o texto dele numa perspectiva de apenas divulgar aquilo que são as suas ideias extremamente lúcidas e, na minha opinião, uma pedrada no charco no meio da teoria económica vigente, e não com ideia de lucrar algo ou dizer mal dele, acredito sinceramente que, mesmo que venha a saber, não me irá processar!

“As gerações actuais devem ter dificuldade em acreditar que houve um tempo em que a discussão política não se centrava nas convulsões do PIB [Produto Interno Bruto], mas essa é a mais pura das verdades.
Para começar, os sistemas de contabilidade nacional hoje usados foram inventados há apenas 70 anos. Antes disso, ninguém sabia ou cuidava de saber a variação homóloga da produção no último trimestre. Uma vez generalizado o método de medição, demorou ainda algum tempo (e muita lavagem ao cérebro) até que a opinião pública o aceitasse sem reservas como uma razoável aproximação do bem-estar colectivo.
Hoje, porém, poucos contestam a bondade do PIB como critério supremo de avaliação da acção política. Estamos a crescer mais ou menos? Acentuou-se ou reduziu-se a distância em relação aos outros países? A América é mais dinâmica do que a Europa? E o Governo estimula ou tolhe o PIB?
Transformar a soma de batatas com cebolas numa operação razoável foi um feito notável dos economistas, cuja relevância depende, todavia, da aceitação da equivalência entre acumulação de bens materiais e felicidade. Como toda a obra humana, também este "felicitómetro" tem os seus defeitos: o produto nacional aumenta se eu contratar uma mulher-a-dias, mas reduz-se, contra toda a evidência, se eu me casar com ela. É assim porque a contabilidade valoriza as transacções monetárias e desdenha as que não envolvem dinheiro. Mais complicado ainda é computar a riqueza gerada quando, ao contrário do que há escassas décadas sucedia, uma grande maioria da população não produz hoje nem batatas nem pregos, mas serviços intangíveis. O engenho dos economistas logrou, porém, superar essas e outras dificuldades de natureza mais técnica. Pelo menos, é assim que pensam os crentes.
Terão razão? A produtividade da UE é, dizem-nos as estatísticas, superior à dos EUA. Porém, como os americanos trabalham em média mais horas, o produto per capita deles é maior que o dos europeus, de onde decorre que eles são mais felizes do que nós. Este raciocínio absurdo explica-se pelo facto de o lazer não ser valorizado por este sistema: trabalhar mais é sempre bom, independentemente das consequências que isso tenha sobre a saúde psicológica e mental dos indivíduos e das famílias.
Mais: para a contabilidade nacional, um euro é um euro, sem interessar quem o recebe. Está aqui implícito que a desigualdade não afecta a felicidade dos cidadãos, embora nós saibamos (e a teoria económica o confirme) que um euro adicional proporciona mais felicidade a um pobre do que a um rico.
Nos tempos longínquos em que o ensino público básico gratuito foi introduzido na Europa, a poucos interessava que isso pudesse eventualmente contribuir para aumentar a produtividade da população. O benefício esperado da educação era, primeiro, a própria educação e, segundo, a promoção da cidadania. Hoje, porém, não só os investimentos na educação, mas também na cultura, na saúde e, mais recentemente, na própria justiça, são olhados com desconfiança se não contribuírem de alguma forma para promover a competitividade das empresas e do País. Tudo o que pareça incomodar o PIB estará ipso facto tramado.
Graças a Deus - há-de haver por força algo de divino nisto - alguma investigação económica parece sugerir que aquilo que é bom para as pessoas acaba mais tarde ou mais cedo por revelar-se bom para a economia. Não sei, todavia, se poderemos ficar tranquilos, dado que, segundo Fogel (Nobel da Economia em 1993), a escravatura era um regime de trabalho eficiente à data da sua abolição nos EUA.
Faz sentido que privilegiemos o objectivo de produzir mais e mais coisas quando a esmagadora maioria dos cidadãos vive na pobreza absoluta, mas as prioridades deveriam ir-se alterando à medida que a carência extrema se reduz e que outros factores se revelam mais decisivos para a promoção da dignidade humana.Nem o PIB nem qualquer outro indicador sintético são capazes de, isoladamente, elucidar-nos sobre o grau de bem-estar de uma sociedade. Para isso, precisamos de uma pluralidade de metas variáveis em função das circunstâncias e dos desafios do momento. Já que, nesta era obcecada pela quantificação (mesmo que espúria), estamos condenados a trabalhar para as estatísticas, ao menos que seja para aquelas que mais interessam.”

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Os cornos do "Manuelinho".

Em 1637, em Évora, rebentou uma revolta por causa do aumento dos impostos e contra a dinastia filipina que então reinava em Portugal. Segundo rezam as crónicas, os responsáveis pela revolta terão sido o Procurador e o Escrivão do Povo, no entanto, as ordens para o movimento, a fim de manter o anonimato dos impulsionadores, apareceram assinadas pelo “Manuelinho”, um pobre tolo da capital alentejana.
Mais de 360 anos depois, eis que o “Manuelinho” voltou, mas desta vez para o governo. Desculpem-me, mas eu não consigo de deixar de me lembrar, de cada vez que o via, do “Manuelinho”. Já não quero falar na cara dele – que é a do “Manuelinho”, de certeza – mas das coisas a que nos habituámos a ouvir do sujeito. Desde apregoar na China para investir em Portugal, pois nós tínhamos mão-de-obra barata; até decretar o fim da crise (vê-se!); passando por receitar a ingestão de “papa Maizena” (passe a publicidade – e confesso que não pensei que Maizena era papa, julgava que era uma farinha com fins culinários diferentes da simples ingestão com leite ou água [ou vinho, como teria sido o caso antes de proferir estas declarações], mas confesso que essa não é a minha especialidade, ficaria mais esclarecido se tivesse falado em Nestum ou Cerelac – mais uma vez, passo a publicidade) a Paulo Rangel, até ao culminar, com os cornos que mostrou (estava a mostrá-los, ou a insinuar que Bernardino é que os tinha?) a Bernardino.
Sinceramente, pareceu-me excessiva a demissão do “Manuelinho” pelo simples facto de ter feito o gesto que fez. Como é óbvio, esta demissão apenas aconteceu porque estamos a 3 meses das eleições e porque o PS levou a “tareia” que levou nas europeias, senão isto tinha passado incólume como passaram as suas anteriores “calhoadas”, as baboseiras de Mário “Jamé” (o do deserto) ou a má educação e arrogância constante de ministros como Silva Pereira (nomeadamente numa entrevista com Mário Crespo) ou Santos Silva (o que gosta de malhar na direita, lembram-se?) ou a suprema falta de respeito de Sócrates de cada vez que vai à Assembleia da República, na maneira jocosa com que trata os lideres das bancadas parlamentares da oposição.
“Manuelinho” foi, portanto, vítima do timing em que fez mais uma das suas, senão nada se teria passado. No entanto, mesmo no momento da saída a coisa foi, mais uma vez, atabalhoada, com o Ministro a dizer que tinha condições para continuar e, mais tarde, a dizer-se que tinha pedido a demissão já depois de ter sido despedido. E apareceram ainda vozes a louvar o trabalho do ex-ministro, dizendo que ele tinha operado maravilhas (como a Besta, no livro do Apocalipse) e que apenas não tinha o dom da palavra e que não era um político, dizendo que se fartara de trabalhar, que tinha um currículo invejável… tenham dó. Só pode louvar o trabalho deste ex-ministro quem beneficiou com as suas acções (e serão poucos), quem é da cor dele ou quem não tem vivido neste país! (aliás, por tocar neste assunto, deixai-me também felicitar Afonso Candal pelo seu discurso na AR no dia do debate de estado da Nação: gostei muito do país que falou, deve ser um sítio espectacular para viver; se ele ler estas linhas, espero que escreva nos comentários deste blogue qual é esse país, pois estou mesmo a ponderar a hipótese de emigrar para lá!). Quanto ao currículo, quem não conhecer esta malta, que os compre. Enquanto estudante, tive oportunidade de conhecer professores mentecaptos com currículos invejáveis; enquanto cidadão, tenho oportunidade de ver que esta malta começa, desde recém licenciados (às vezes antes), como chefes de algo e vão circulando de empresa em empresa, de instituto público em instituto público, sempre em lugares de chefia, sem terem passado por baixo, sem saberem o que estão a chefiar, sem saberem nada de nada, mas sempre a acrescentar ao currículo que foram chefes disto, chefes daquilo… Que competência, a destes senhores! Acrescentem à lista de sumidades com currículos invejáveis Dias Loureiro (o tal que tinha ordenado principesco no BPN por ser de uma competência rara mas que agora, quando a coisa dá para o torto, já vem dizer que afinal o que fazia era assinar papeis sem os ler – devolva os ordenados que recebeu se afinal não fazia nada nem sabia nada do que ali andava a fazer), Oliveira e Costa e Jardim Gonçalves, tudo malta de grandes currículos (e gente séria…).
Desculpem lá, mas um indivíduo que durante 4 anos mais não fez do que fazer ao povo, sub-repticiamente, o que fez naquele dia ao deputado Bernardino Soares às claras, já devia ter sido corrido há muito tempo e não só agora porque o fez à descarada a um deputado. Faz-nos pensar se um deputado (ainda por cima comunista) vale mais do que dez milhões de pessoas.
Ah! Mas não se preocupem com o “Manuelinho”, pois ele não vai para pior pelo facto de ter sido despedido. Tenho a certeza absoluta que vai receber uma belíssima indemnização e lhe vão arranjar um tacho ainda melhor, com menor exposição pública (para não voltar a fazer ou a dizer, em público, asneiras) e a ganhar muito mais dinheiro do que ganhava como ministro, seja numa empresa pública, seja num instituto público, seja numa Fundação privada tipo Fundação das Telecomunicações (que funciona em instalações do Estado, com pessoas nomeadas pelo Estado e que eu não acredito que tenha sido criada apenas para adjudicar o fornecimento de computadores Magalhães a uma empresa privada – será que é de amigos, ou é só porque é muito boa empresa? – sem concurso público), seja numa das empresas que beneficiou enquanto foi ministro. E saber que o “Manuelinho” fica bem, é um analgésico para as minhas dores!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Morte do Michael Jackson.


Morreu o cantor Michael Jackson. Milhares de pessoas por todo o mundo choram a sua morte e prestam-lhe homenagens, como se o homem tivesse feito algo de bom pela humanidade. Se morresse um galardoado com o prémio Nobel da medicina (ou mesmo que não tivesse ganho o Nobel mas que tivesse feito grandes descobertas nessa área ou outra área de importância para a humanidade), o choro limitar-se-ia a pouco mais do que familiares e alguns amigos. Isto só vem mostrar o poder do marketing (sobretudo dos americanos, habituados a fazer de criaturas, quantas vezes com pouco valor, quase semi deuses para pessoas de mentes mais fracas) por um lado e a completa inversão de valores e de prioridades que se vive no mundo ocidental.
Não me quero alongar muito neste assunto, quer porque não tenho muito a dizer acerca disto, quer porque seria dar importância excessiva a quem a não tem (e se falo na morte de Michael Jackson não é pela importância que lhe dou, mas antes pelo disparate de que a sua morte tem vindo a ser alvo), por isso vou aqui apenas tocar nos dois tópicos que referi acima.
Em primeiro lugar, falar da inversão de valores, que é notória no facto de tanta gente que contribuiu para o progresso da humanidade e ninguém chorar a morte delas, de, muitas vezes, ser dada a notícia de raspão no noticiário ou num artigo de um oitavo de página no meio de um jornal; e para um cantor (que nem vou aqui discutir a qualidade, para não entrar em mais polémicas ainda) serem dadas honras de abertura de noticiários durante vários dias, e de primeiras páginas de jornais. Numa altura de crise económica gravíssima, de milhões de pessoas a ficarem ainda mais pobres, de aquecimento global, de uma crise política enorme num país altamente problemático como é o caso do Irão, de tragédias por esse mundo fora, se dá esta situação completamente desproporcionada de choro mundial por causa de um indivíduo que há vários anos não fazia nada, que vivia de rendimentos de discos vendidos e de concertos dados há já vários anos e que, apesar de ganhar obscenidades, ainda tinha necessidade de contrair milhões de dólares de dívidas; de um indivíduo que o que fazia na vida era cantar e dançar e que foi várias vezes acusado de molestar menores! Um indivíduo que era nítido que, mais do que um excêntrico, era alguém bastante perturbado e se não fosse famoso e muito rico, era provável que tivesse passado os últimos anos da sua vida internado num qualquer hospital psiquiátrico – mas ele não era maluco, pois como era rico, era excêntrico! É pela morte de um indivíduo destes que milhares de pessoas choram baba e ranho pelo mundo fora, como se de um messias se tratasse.
Quanto ao marketing americano, não há dúvida que Michael Jackson é um produto de uma indústria muito bem organizada e que consegue criar mitos em criaturas que, se calhar, nunca se deviam sequer ter dedicado ao mundo do entretenimento. Não vou discutir aqui se é ou não o caso de Michael Jackson, mas os americanos são especialistas em criar nomes endeusados e explorar esses nomes até ao tutano. Michael Jackson era um desses nomes que não merecia tanta fama nem tanto endeusamento. Preparem-se agora, que os americanos vão explorar isto até ao tutano: os discos que ainda há já estão a esgotar e, nos próximos anos, vamos ter lançamentos de inúmeras colectâneas de CD’s de Michael Jackson sempre com as mesmas músicas mas que os otários lá estarão a comprar, pois querem ter todos os discos que saíram deste cantor. É o Marketing americano a funcionar, mais nada. Quem quer comparar a morte de Luciano Pavarotti com a de Michael Jackson? Foi alguma loucura destas? E há alguma comparação entre a voz de um e de outro?
Mas Pavarotti foi apenas um exemplo. Poderia dar mais, mas não o vou fazer. E podem dizer, para contra argumentar comigo, que Pavarotti era apenas um cantor e Michael Jackson era mais do que isso. Pois, era um cantor mas era-o de excepção e Jackson não. E, em termos musicais, não tenho dúvida nenhuma em afirmar que o mundo perdeu mais com a morte de Carlos Paião do que com a de Michael Jackson. Só que um era português e o outro era americano e, ainda por cima, dos escolhidos pelo pessoal das grandes editoras norte americanas, entre milhares de cantores do mesmo nível, para ser elevado ao estatuto de estrela máxima. E o pessoal vai nisso. Bem diz o ditado: “todo o burro come palha, o que é preciso é saber dar-lha”. E eles sabem dar palha. O que é preciso é ser-se burro para a comer…