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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As aldrabices da Demografia.

Segundo as estatísticas, Portugal conta com 517 mil desempregados. Claro que as estatísticas valem o que valem e o número é substancialmente superior. E isto sem contar com empregados em “part time” e com os que trabalharam umas horitas nos últimos meses e com os trabalhadores precários e com os que já nem se dão ao trabalho de se inscrever nos centros de emprego, pois aquilo só serve para as estatísticas ou para atribuir subsídios de desemprego, pois eles não avisam as pessoas no caso de surgir empregos. E sei do que falo, pois já lá tive a minha mulher inscrita e abriu um concurso público na área de formação dela e ela não foi avisada, bem como, após ter arranjado um trabalho temporário, e apesar de se ter inscrito várias vezes após ter ficado sem esse trabalho, de cada vez que ia ao centro de emprego diziam-lhe que ela estava a trabalhar! Passou-se isso quando se inscreveu sucessivamente em Leiria, Coimbra, Viseu e Guarda: apesar de se ir inscrevendo sucessivamente, de cada vez que se ia inscrever diziam-lhe que ela estava a trabalhar em Leiria! Assim se dão taxas de desemprego falsas (como toda a estatística em Portugal, aliás).
Ora, mas eu não estou aqui hoje para discutir as fraudes das estatísticas em Portugal, estou aqui para discutir o desemprego, a imigração, a natalidade, o número de licenciados e as reformas. Tudo coisas interligadas entre si.
Interligadas porque é extraordinário que num país onde se atinge oficialmente uma taxa de desemprego de 2 algarismos, se continue a dizer que a taxa de natalidade é baixa, que os portugueses têm que ter mais filhos para garantir a sua reforma, que temos que importar imigrantes… Tudo balelas! Pois se temos mais de meio milhão de desempregados (oficiais) mais umas centenas de milhares de beneficiários do rendimento mínimo, ou seja, se temos perto de um milhão de pessoas neste país que não têm trabalho, acham que ainda necessitamos de mais gente? Se não há empregos para esta gente toda (mais os que já emigraram), para que querem mais desempregados? A verdade é que esta forma de capitalismo necessita de cada vez menos gente e cada vez lhes paga pior, de forma a criar grandes lucros para alguns, descartando os outros que apenas servem para fazer baixar os salários, por via do excesso de oferta de mão-de-obra. Mas um capitalismo que não necessita das pessoas, tem os dias contados. Quanto às reformas, não são os cada vez mais desempregados que vão pagar as reformas dos que trabalham e descontam. Não é por se ter mais filhos que serão desempregados, que as reformas se vão conseguir pagar, antes pelo contrário, pois estes apenas vão também absorver mais fundos da segurança social, por via das prestações sociais que estes desempregados e indigentes do rendimento mínimo recebem. O problema da segurança social é que o dinheiro dos descontos de quem trabalha é desbaratado com os preguiçosos do rendimento mínimo e das habitações sociais (e o saque dos “grandes”) em vez de ser aplicado até à reforma dos que descontaram. Ou seja, o Estado, ou melhor, estes políticos, criaram na segurança social um esquema piramidal tipo D. Branca em que estarão sempre dependentes que os que entram no mercado de trabalho sejam mais do que os que saem! Só que as contas saíram-lhes furadas, a demografia alterou-se e o esquema faliu… E agora querem muitos filhos e imigrantes, mas já não há empregos para os que cá estão, quanto mais para os que hão-de nascer (caso se voltasse ao crescimento natural da população portuguesa) e para os que querem mandar vir de fora para povoar Portugal (como se o que interessasse é cá ter gente, nem que se tenha que pôr os portugueses fora de Portugal, para que eles se sintam melhor cá e para a nossa cultura não perturbar a deles).
Balela é também a história de querer dar certificados a toda a gente. Como repararam, não escrevi educação, formação, escrevi certificados pois cada vez se certifica mais o que não existe, como é o caso do 12º ano e do ensino superior. Este é o Estado que incentiva os seus a estudarem (bem, estudarem cada vez menos, mas, pelo menos, a andar no sistema de ensino mais tempo), a tirarem licenciaturas (agora mestrados), o Estado que diz que temos poucos licenciados mas que no fim os licenciados não têm empregos. É mais um logro desta república das bananas, que faz pessoas andarem anos e anos a estudar, que faz os pais gastarem rios de dinheiro em quartos, propinas, etc., para depois não ter empregos para licenciados e pô-los nas caixas de supermercado ou ao balcão de uma qualquer Zara ou loja de telemóveis… Este é o Estado que não vendo ou não querendo ver que há licenciados a mais e que há indivíduos que não têm capacidades intelectuais para prosseguir para níveis de ensino superiores, incentiva os jovens a iludirem-se de que podem ser doutores ou engenheiros, ficando o país desprovido de serralheiros, electricistas, pedreiros, carpinteiros, que era para o que uma boa parte dessa malta que pulula no ensino superior servia.
Este é o Estado que reduz as reformas de quem descontou décadas para ter uma reforma, e altera as regras do jogo, para lhes pagar menos e menos, ao mesmo tempo que dá rendimentos mínimos a quem não quer trabalhar ou se preocupa tanto em pôr a mão por baixo a pessoas que trabalharam (ou não) décadas e décadas e nunca quiseram descontar para a reforma um cêntimo. E que ainda têm o desplante de se queixarem das pensões baixas, em vez de agradecerem a esmola que todas as pessoas que trabalham e descontam e pagam impostos, tão generosamente lhes dão daquilo que devia ser seu!
Isto, meus amigos, isto é que me causa dores de morte!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Se não nos sustentam, vamos roubar-vos!"

No outro dia deu num canal de televisão (não sei em qual) uma reportagem qualquer que presumo (porque não a vi toda, já só a apanhei no fim) que tinha a ver com rendimento mínimo (não sei se falavam também de outras formas de parasitar quem trabalha). Como só apanhei o fim, já só tive tempo de ouvir um casal que fora tão honesto que, após ter montado uma pequena empresa familiar de recolha de ferro velho e ganhar já cerca de três vezes mais do que recebia do rendimento mínimo, foram eles próprios dar baixa do mesmo (resta saber se devolveram o que tinham recebido a partir do momento em que começaram a trabalhar, ou se só mandaram cancelar quando começaram a ver que a coisa ia dar para o torto). Mas não é este caso de sucesso (raríssimo) do rendimento mínimo que me fez escrever-vos mais este pensamento; o que me motivou a pegar no computador e escrever-vos estas palavras (apesar de estar com umas dores de morrer) foi uma conversa de uma cigana já na altura em que passavam as letras com os nomes dos autores da reportagem, dos realizadores, etc. e em que ela dizia que se não lhe dessem o rendimento mínimo tinha que ir roubar.
Ora isto é uma frase que mostra quem realmente esta gente é. A ideia é esta: «nós temos filhos “a dar com um pau” e queremos ser sustentados porque trabalhar não é connosco. E ou nos sustentam a bem (com casas de borla e rendimento mínimo) ou nos sustentam a mal – desatamos aí no gamanço – mas trabalhar como as outras pessoas está fora de questão». Será que temos que nos conformar com a ideia que há gente no nosso país que não necessita de trabalhar e em relação às quais nós temos a obrigação de sustentar, tal como às suas vastas proles, seja ele a bem (através dos nossos impostos) ou a mal (através de roubo ou de furto). Será que isto é normal, recebermos em nossas casas (pagas com o suor do nosso trabalho) esta ameaça de que se não lhes dermos o rendimento mínimo e casas de borla, pagas por todos nós, nos vêm roubar? Será normal que quem trabalha não pode ter mais que um ou dois filhos (os mais abastados, pois muitos é só um ou nem um) porque não tem condições económicas para mais, e haja gente que vive sem trabalhar, a receber mais e mais dinheiro para fazer mais indigentes (é quem não se devia multiplicar a multiplicar-se) e ainda ter o descaramento de vir dizer que temos a obrigação de os sustentar a todos sem violência, senão vêm transformar a nossa vida num inferno? Não será já altura de dizer basta a esta gente? Não será altura de os pôr a trabalhar como as outras pessoas ou deixá-los morrer de fome ou a apodrecer nas prisões caso venham roubar-nos? Não será altura de acabar com esta forma de parasitismo vergonhoso e baixar os impostos a quem trabalha, deixar estes ter condições económicas para poderem ter mais um filho por família em vez de se andarem a matar para sustentar os filhos indigentes de outros indigentes de famílias que sempre serão indigentes? Será que é com os filhos parasitas destes parasitas, será que é com a multiplicação dos parasitas que nós vamos ter quem garanta a sustentabilidade futura da segurança social ou esta multiplicação apenas levará a uma maior sobrecarga futura desta? Será justo que eu (e milhões de outros portugueses) paguemos impostos e façamos descontos para a reforma e não possamos ter mais um filho, para sustentar esta corja de parasitas, e depois ainda nos ameacem que podemos não vir a ter reformas porque este dinheiro que nos é tirado é usado na reprodução de parasitas? E ainda, para nos dar mais dores, ainda nos ameaçam que nos vão roubar se não lhes dermos dinheiro para viver que nem nababos. Como se isto que se passa não fosse já um roubo aos nossos filhos e à nossa velhice!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Subsídio de desemprego, rendimento mínimo e outras formas de parasitismo.

O Banco de Portugal descobriu a pólvora! Descobriu que em Portugal o período em que os “trabalhadores” recebem o subsídio de desemprego é demasiado longo e motivo de manutenção do mesmo. Parece que os iluminados descobriram que a duração média entre empregos de “trabalhadores” que recebem subsídio de desemprego é de 23 meses (quanto é que é o período máximo que se pode receber subsídio de desemprego?) e que isso se deve ao facto de os “trabalhadores” não quererem arranjar emprego porque estão a receber sem trabalhar! É nestas alturas que nós damos por bem empregue o dinheiro que gastamos com Vítor Constâncio e com todos os excelentes funcionários do Banco de Portugal. Nestas alturas e quando vêm em Março dizer que o crescimento vai ser de 2%, em Junho que vai ser de 1%, em Setembro que vai ser de 0,4% e em Dezembro que vai ser de 0%. Felizmente, o Banco de Portugal serve para fazer previsões acerca do crescimento da economia, da inflação, do desemprego e de outros indicadores macroeconómicos, dando valores diferentes em cada trimestre e acertando com o valor correcto já no fim do ano! Para além, claro, de pagar chorudos vencimentos a funcionários que tentam armar-se em profetas acerca do desempenho económico do país (os bruxos estão caros, mas também erram!) e de, de quando em longe, dizer coisas que o comum português se farta de dizer ao fim da tarde, defronte de um copo de tinto e de um pastel de bacalhau, na taberna da esquina! Pois está claro, descobriram (!!): a malta anda a sacar dinheiro sem ter que ir trabalhar, sem ter que se levantar cedo, sem gastar dinheiro em deslocações, sem ter que pagar creches porque fica com os filhos, sem ter que pagar a mulher-a-dias, e não procura emprego! E só quando se aproxima o fim da “mama” é que vai tratar de arranjar emprego! E ainda digo mais: com um bocadinho de esforço, se eles forem também à taberna do bairro ou da aldeia, vão-se aperceber que muitos até arranjam, mas só se for sem fazer descontos nem pagar impostos, que é para não perderem o subsídio de desemprego. E, quiçá, eles conseguirão aperceber-se que o rendimento social de inserção (vulgo rendimento mínimo) faz exactamente a mesma coisa: sustenta parasitas que não querem trabalhar (salvo algumas excepções, de gente que não pode mesmo trabalhar) e que se habituam a viver à custa de um pseudo direito de viver à custa de quem trabalha! É que já nem é um caso de pedido de esmola para viver, é UM DIREITO QUE ELES TÊM de viver à custa de quem trabalha, pelo qual não têm sequer que agradecer e do qual ainda se devem queixar pelo facto de ser pouco! Sim, porque quem trabalha, quem sustenta os filhos sem ajudas do Estado, quem se preocupa com a subida da euribor ou dos combustíveis, tem obrigação de apertar cada vez mais o cinto para ajudar “aqueles que mais precisam” (como é revoltantemente vulgar ouvir a nossa honesta e preocupada classe política dizer), ou seja, ajudar os parasitas da sociedade a procriar e a prosperar, criando um cada vez maior número de parasitas por cada trabalhador (que não tem dinheiro para poder ter filhos, nem recebe incentivos para isso), e assim, pondo em causa a sustentabilidade futura da segurança social e das reformas de quem desconta para elas.
Como complemento ao que estou a dizer, acrescento a esta minha crónica a notícia que ouvi hoje de manhã: uma empresa da área da construção de aparelhos eólicos, creio que em Viana do Castelo, não consegue produzir em pleno porque não consegue arranjar trabalhadores! E os sindicatos ainda têm o desplante de dizer que não conseguem arranjar trabalhadores porque pagam mal. Pois, parece que o Estado paga um pouco melhor a quem não quer fazer nenhum, do que as empresas a quem quer trabalhar. Abençoado Estado que tem estes “funcionários públicos” (os desempregados e a malta do rendimento mínimo) aos quais não lhes corta regalias nenhumas e ainda os incentiva ao parasitismo, que os afasta do trabalho, que consegue dificultar às empresas a obtenção de mão-de-obra, ao mesmo tempo que com os seus verdadeiros trabalhadores mais não tem feito que congelar vencimentos, impedir a progressão nas carreiras e atirá-los para a mobilidade especial, para lhes pagar menos. E isto, meus caros, dá-me umas dores de morte que só visto!