
Vamos então analisar um pouco deste disparate.
Claro que para a função pública a coisa até pode ter alguma aplicabilidade, uma vez que hoje em dia os cargos dirigentes não são ocupados pelo mérito mas sim pela família a que se pertence (seja filho de ministro, ou de presidente da câmara, seja da família partidária), tanto faz lá meter um incompetente do sexo masculino como uma incompetente do sexo feminino: são os dois incompetentes. Claro que eu compreendo que se meto os meus filhos ou os meus primos a dirigir uma coisa pública sem nada perceberem daquilo, também lá posso meter a minha filha ou a minha prima. Assim, de hoje em diante, e porque parece que a quota é de 33%, por cada 2 primos que meto na câmara municipal, também lá tenho que meter uma prima; por cada dois mandaretes do partido que lá meto, também tenho que lá meter uma “mandareta”… Fica tudo na mesma, as pessoas, ao contrário do que se passava antes do 25 de Abril, já não eram escolhidas pela competência, pelas provas que deram ao longo da carreira profissional naquela área, naquela empresa pública ou naquele ministério, por isso…
Agora no privado, caso esta lei se venha a aplicar, é que a porca torce o rabo… Então eu, que sou dono de uma empresa, não posso escolher livremente os meus colaboradores… Então eu quero meter 3 dirigentes numa empresa, aparecem-me 10 candidatos, eu acho que há lá 3 – que, por acaso, são homens – que eu acho que são bons e aparece-me lá uma mulher que não vale nada e eu vou ter que preterir uma pessoa que considero extremamente válida para meter lá uma pessoa que eu acho que não presta, só porque ela é mulher e eu tenho uma quota para preencher? Então e se eu quiser 4 dirigentes, como vou eu preencher a quota das mulheres? Isto faz-me lembrar a história imbecil para enganar tolos da sardinha para três no tempo de Salazar: o que fazer quando a família era composta por quatro pessoas? Comprava-se uma sardinha e um terço de outra? Então e as quotas também são válidas para os homens? Ou seja, se eu quiser meter 3 mulheres nos 3 cargos dirigentes não posso? Também tenho que meter um homem? Ou aí já não há problema? E se não se candidatar a esse cargo nenhuma mulher? E um homossexual, conta como mulher ou como homem?
Enfim, a estupidez parece-me tanta que nem sei mais o que dizer acerca disto. Apenas me ocorre que esta coisa das quotas serve para se fazer medidas populistas e para, mais uma vez, se andar a favorecer quem não tem mérito. E é sempre contra o homem. Sim, porque nunca se mete quotas para o sexo masculino. Vejamos: há quotas para as mulheres nas obras ou nas minas? Não! Nem as mulheres se queixam. E nas perfumarias, há quotas para os homens? É que eu nunca fui atendido por um homem numa perfumaria (nem quero!), mas não vejo mulheres queixarem-se disso! Na tropa ou na polícia, as provas físicas são iguais para os homens ou para as mulheres? Não, mas não vejo nenhuma mulher queixar-se disso. É que os ladrões ou o inimigo tanto matam ou batem num como noutro e fogem à mesma velocidade de um homem ou de uma mulher. O que acaba por acontecer é que numa situação de risco vai sempre o homem. Mas o vencimento ao fim do mês é igual! E não vejo as mulheres queixarem-se que, nesta situação em que há trabalho diferente, haja salário igual! Só vejo as leis irem no sentido de beneficiarem a mulher face ao homem, não vejo as leis irem no sentido da verdadeira igualdade, como é apregoado.
Podem dizer que sou machista, não me rala. Aliás, até é um elogio que me fazem, pois eu lido bem e até gosto dos rótulos preconceituosos que os que não têm argumentos válidos usam para qualificar quem diz as verdades e contra os quais não têm argumentos: machista, racista, xenófobo, homófobo, fascista, etc.. Enfim, coisa de gente preconceituosa e ignorante.
Já agora, cá ficamos à espera de quotas para pretos, maricas, estrangeiros, asiáticos, muçulmanos, testemunhas de Jeová, gordos, carecas, etc..
É de bradar aos céus! São coisas destas que, de tantas dores de morte que me causam, nem me deixam dormir!